Deputados debatem atendimento na rede pública de saúde do DF

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Delmasso cobrou resposta da Secretaria de Saúde a auditoria do TCDF que apontou diversas falhas no atendimento a pacientes

Por Marco Túlio Alencar e Denise Caputo

A conclusão de uma auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal que apontou diversas falhas no atendimento a pacientes com Síndrome de Down e epilepsia na rede pública de saúde foi tema do deputado Delmasso (Republicanos) na sessão ordinária da Câmara Legislativa, nesta quarta-feira (30). Do relatório constam, por exemplo, falhas na estrutura e na disponibilidade de medicamentos, apesar de legislação em vigor garantir serviço de qualidade.

“A Secretaria de Saúde precisa dar uma resposta ao tribunal”, observou o parlamentar, acrescentando que encaminhará ofício à pasta pedindo informações. Para ilustrar os problemas apontados pela auditoria, o distrital citou a falta de manutenção de equipamentos básicos – como eletroencefalogramas – e a dificuldade de acesso a medicamentos, como o Gardenal. “Só há um aparelho em funcionamento, no Hospital de Base. No restante da rede, estão quebrados”, comentou.

Delmasso é autor de lei que inclui o canabidiol “como exceção para pacientes com epilepsia”. Ele explicou que, em alguns casos, a cirurgia não é possível, “então, são necessários alguns tipos de remédios para conter crises convulsivas”. Também acrescentou que as medidas que precisam ser tomadas pela secretaria alcançam 83 mil pessoas “que buscam mais qualidade de vida”.

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Já o deputado Chico Vigilante (PT) lamentou, nesta tarde, o caso de uma jovem de 20 anos que estava grávida e que perdeu o bebê de 8 meses, por atendimento inadequado no Hospital Regional de Santa Maria – hoje administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges/DF), o mesmo do Hospital de Base. “O Instituto não fez a cirurgia de parto, e a criança morreu na barriga da mãe, onde ainda ficou por quatro dias”, destacou o distrital, que acrescentou que providências só foram tomadas após denúncias na imprensa. “O presidente do Instituto deve abrir sindicância e punir os responsáveis”, cobrou.

Por sua vez, o deputado João Cardoso (Avante) demonstrou preocupação com a baixa adesão à vacinação contra o sarampo no DF. Segundo informou, 32,4 mil crianças ainda não foram imunizadas e já foram diagnosticados três casos da doença. “A prevenção é o melhor caminho”, pregou. Além dos riscos para a saúde pública, o descumprimento da meta de imunização ameaça o repasse de recursos da União para o DF, também alertou o parlamentar.

Liberdade de imprensa

Deputados distritais criticaram os ataques do presidente da República à Rede Globo após divulgação de informação, pela emissora, dando conta de que o nome de Jair Bolsonaro aparece em depoimento ligado ao caso Marielle Franco. Para Chico Vigilante, “os jornalistas correm perigo neste governo”. Ele conclamou as forças democráticas a se unirem para não aceitar, em nenhuma hipótese, cerceamento do trabalho jornalístico. “Não existe democracia sem liberdade de imprensa”, declarou.

O deputado Fábio Felix (PSol) disse que causa indignação o fato de ter transcorrido mais de um ano do assassinato da ex-vereadora carioca “e ainda não termos uma resposta”. Na visão dele, o crime “é uma pauta que incomoda o Palácio do Planalto e a Presidência da República”. O distrital acrescentou que não vai parar de fazer esta pergunta: “Quem mandou matar Marielle”. Já o Professor Reginaldo Veras (PDT) condenou o comportamento do presidente: “Ele ameaça de forma insana e destemperada não renovar a concessão da TV, agindo do mesmo modo como Hugo Chávez, o presidente venezuelano que tanto critica”. Segundo o parlamentar, é necessário “ficarmos de olhos abertos pois, se continuar dessa maneira, dias piores virão”.

Cooperação

Também na sessão de hoje, o deputado Delmasso falou sobre a visita a quatro cidades da China, em missão oficial representando a Casa. Ele destacou a assinatura de protocolo de intenções com a Câmara de Desenvolvimento e Negócios Brasil-China (CDNBC), durante uma feira em Macau. O objetivo, explicou, é atrair investimentos chineses. Além disso, o distrital contou ter apresentado projeto de transporte por monotrilhos – o qual poderia ser implementado por meio de parceria público-privada (PPP), segundo informou.

Fonte: CLDF