Conselhos regionais realizam pesquisa sobre violência contra médicos e profissionais de enfermagem do DF

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Parceria faz parte de campanha de combate a violência contra profissionais de saúde

Por Kleber Karpov

Os conselhos regionais de Medicina do DF (CRM) e de Enfermagem (Coren), do DF, deram início a uma pesquisa para avaliar a prática de violência contra médicos e profissionais de enfermagem, enfermeiros, técnicos e auxiliares. De acordo com o os parceiros, se trata de uma das fases da Campanha de Combate a Violência no Trabalho, contra Profissionais de Saúde.

A iniciativa, inédita no DF, e tem por objetivo, chamar atenção dos profissionais de saúde, para a necessidade de se registrar esse tipo de crime na forma de boletins de ocorrência.

São Paulo

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Em 2018, uma pesquisa semelhante, realizada pelos conselhos regionais paulista, dos Médicos de São Paulo (CREMESP), de Enfermagem (COREN-SP) e de Farmácia (CRF-SP), respondida por 6.832 pessoas, apontou que 71,6% afirmaram já ter passado por situação violenta. Com destaque para os profissionais de enfermagem com 90% entre os mais atingidos, seguidos por 89% dos farmacêuticos e 47% dos médicos.

Desses percentuais, 21% da categoria de enfermagem, 18% dos médicos e 7% dos farmacêuticos foram vítimas de agressão física. A pesquisa apontou ainda que a maioria das pessoas agredidas eram mulheres, com média de faixa etária de 40 anos.

Outro dado que chama atenção é que cerca de 20% dos entrevistados, denunciaram as agressões. Porém, apenas 15% dos profissionais de enfermagem e 11% dos farmacêuticos afirmaram terem recebido acolhimento. Percentual esse, extremamente discrepante, em relação aos médicos, em que 59% das queixas tiveram acolhimento, seja por parte da polícia, da Justiça, ou das instituições em que trabalham.

Culpados?

Deputado Distrital, Jorge Vianna (Podemos) – Foto: Wilter Moreira

Para o deputado distrital, Jorge Vianna (Podemos), ex-vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (SINDATE-DF), responsável por diversas denúncias de casos de agressões de servidores públicos  da Saúde, a falta de profissionais, de medicamentos, insumos e de estrutura adequada para prover atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde é o grande vilão que atinge diretamente, os profissionais de saúde que fazem o atendimento à população, “na ponta”, nas unidades de saúde.

“Embora seja um problema nacional, nos últimos anos, principalmente aqui no Distrito Federal, nós vimos as agressões aos servidores da saúde acentuar, e geralmente as vítimas são os profissionais que estão fazendo o atendimento na ponta, ou seja, os profissionais de enfermagem, os médicos e até os técnicos administrativos. Porém, o grande culpado acaba sendo o próprio governo. Na gestão do ex-governador, o senhor Rodrigo Rollemberg, nós ainda tivemos um agravante, de se tentar utilizar a grande mídia para responsabilizar os servidores pela óbvio, que a falta de profissionais, de medicamentos, insumos, manutenção de equipamentos e de estrutura resultava a superlotação dos hospitais e demais unidades de saúde o que impedia aos trabalhadores da saúde, prestarem um bom atendimento à população.”, disse Vianna.

Dr. Gutemberg Fialho – Foto: SindMédico-DF

Na mesma linha, o presidente da Federação Nacional dos Médicos e do Sindicato dos Médicos do DF (SINDMÉDICO-DF), Gutemberg Fialho, também foi uma das vozes a se levantar, para denunciar as agressões à classe médica.

Em abril, o sindicalista apresentou os dados da pesquisa do COREN-SP e do CREMESP, além de ponderar, por exemplo, que “a insegurança provocada pelas explosões de fúria dos usuários levaram mais de 3.600 médicos a pedir exoneração ou a não assumir cargos para os quais foram aprovados em concursos públicos. Outros 400 se aposentaram.”.

Risco aos profissionais

Rosylane Rocha conselheira do Conselho Federal de Medicina – Foto: Flickr

Ao Política Distrital (PD), a conselheira do Conselho Federal de Medicina (CFM), Rosylane Rocha, explicou que os profissionais de saúde, quando se tornam vítimas de violência no ambiente de trabalho, podem ter comprometimentos profissionais e pessoais, graves.

“Essa prática muitas vezes afasta os médicos e demais profissionais de saúde, por causar um transtorno de estresse pós-traumático. Algo que pode cronificar um quadro depressivo e desencadear um quadro depressivo recorrente, e deixar sequelas nesses profissionais de saúde.”, explicou Rosylane Rocha.

Participe!

Os interessados podem ter acesso a pesquisa por meio do link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScIwXHVm4GXxBcNPUJf3Zz56MmcKLP0on9500HE5qXMgsyaXA/viewform