Mortes por dengue preocupam distritais

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Por Marco Túlio Alencar e Denise Caputo

A confirmação de seis mortes causadas pela dengue nos três primeiros meses do ano, número superior ao registrado em todo o ano passado no Distrito Federal, preocupa líderes partidários, que ocuparam a tribuna da Câmara Legislativa nesta quarta-feira (3) para tratar da questão. O deputado Reginaldo Veras (PDT) chamou a atenção do governo para o fim do prazo do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em 2010, permitindo que servidores administrativos da Funasa, cedidos do GDF, atuem no trabalho de campo.

“O prazo venceu no final de 2018. São 119 servidores que, mesmo representando custo zero para o Estado, deixam de trabalhar no combate a endemias”, alertou. Veras observou que esses profissionais treinam equipes, por exemplo, de bombeiros militares, quando estes são convocados para operar nessa área. “Não podemos prescindir dessa mão de obra altamente qualificada”, ponderou, apelando à Secretaria de Saúde do DF para que trate imediatamente da renovação do TAC junto ao Ministério da Saúde e ao Ministério Público da União.

Por sua vez, Chico Vigilante (PT) argumentou que não se pode combater o mosquito da dengue somente no período chuvoso. “É importante estabelecer a prevenção nos meses que antecedem a chuva”, disse, responsabilizando o governo Rodrigo Rollemberg pela situação atual. Ele comparou os investimentos do GDF, no combate a endemias, no último ano do governo Agnello Queiroz, que empregou R$ 24,125 milhões nessas ações, com os R$ 1,784 milhões gastos no ano passado. “Sem combate aos mosquitos sempre haverá dengue, e tendo dengue haverá mortes”, concluiu.

Para a deputada Arlete Sampaio (PT), que falou em nome do Bloco da Minoria, os números de casos da dengue, de acordo com o último Boletim Epidemiológico, são preocupantes. Além disso, a distrital reclamou do atendimento na rede pública de saúde. “Estamos chegando aos 100 dias do governo e não há mudanças satisfatórias”, declarou. Ela atribuiu a situação a problemas de gestão: “Temos um secretário na pasta e um superintendente fazendo a gestão de algumas unidades, que também age como secretário”, condenou.

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Na sessão ordinária desta terça-feira (2), o deputado Hermeto (MDB) que voltava ao plenário após ter se recuperado da dengue foi saudado por colegas que também alertaram sobre o quadro de surto que o DF vive e solicitaram ao governo medidas para conter a propagação.

Sobre a dengue, o deputado Jorge Vianna (Podemos) disse que a cidade está “em guerra” contra o mosquito Aedes aegypti e ressaltou a importância do engajamento de todos nessa luta. “E nós, que temos poder midiático e político, temos dever de travar campanha contra a dengue. Temos de fazer trabalho individual junto a cada uma das pessoas. Todos os brasilienses precisam ter consciência, e temos dever e responsabilidade de fiscalizar”, frisou.

Saúde

O deputado Leandro Grass (Rede) falou de outros temas que afetam a saúde dos brasilienses, causados por desigualdades sociais. “Em termos de diferença de renda entre ricos e pobres há um abismo”, afirmou o parlamentar, destacando a situação de 10% dos domicílios que não possuem saneamento básico adequado e a falta de uma alimentação balanceada para as crianças. Ele defendeu mais investimentos nos restaurantes comunitários que deveriam passar a servir as três refeições. “Alimentação é um direito fundamental”, resumiu.

Serviço público

O deputado Fábio Felix (PSOL) criticou promessas feitas pelo governador Ibaneis Rocha com as diversas categorias de servidores públicos do Distrito Federal. “Ele prometeu equiparar a Polícia Civil com a Federal e também pagar a 3ª parcela a 33 categorias. Mas está na capa de todos os jornais que ele não tem recursos”, apontou. O distrital disse que vai enviar um requerimento de informações ao governo cobrando o cronograma de pagamento da parcela em falta. “Isso nos preocupa muito. O serviço público só melhora quando o servidor é respeitado”, concluiu.

Já o distrital Jorge Vianna (Podemos), levantou problema relativo ao sistema de ponto eletrônico dos servidores do Samu. “Lá, quando alguém sai para uma ‘corrida’ não tem hora para voltar”, contou. Ele sugeriu que a equipe do serviço seja dispensada de bater o ponto ou que o sistema seja instalado em cada uma das bases do Samu.

Inclusão

O deputado Iolando (PSC) parabenizou o BRB por ter assinado contrato para a instalação de sanitário adaptado na agência da L2 sul. “São poucas iniciativas desse tipo, e uma como essa deve ser ressaltada e elogiada. É uma ação louvável”, elogiou.

Policiais

O deputado Hermeto (MDB) voltou a elogiar o projeto de lei nº 142/2019, do deputado Roosevelt Vilela (PSB), que assegura gratuidade no transporte público ara policiais à paisana. “Essa proposta é muito bem-vinda e tem de ser muito divulgada: os vagabundos têm de saber que dentro do ônibus pode ter alguém armado, é o “fator-surpresa”. Tem meu voto incondicional”, disse.

Fonte: CLDF