Servidor denuncia movimentação ‘atípica’ em marcações de consultas e exames, por gestores, no Hospital do Gama

673
Print Friendly, PDF & Email

Servidor aponta que direção do HRG argumenta haver alta demanda de marcações para justificar retirada de atribuição de profissionais de saúde, mas pacientes de Goiás conseguem atendimento ágil no hospital, com diferença do tempo de espera, em média de 425 para 13 dias. Milagre?

Por Kleber Karpov

No início de junho, Política Distrital (PD), recebeu denúncia de um servidor do Hospital Regional do Gama (HRG), sobre movimentações atípicas em marcações de consultas e exames naquele hospital. Sob sigilo de identidade, o servidor explicou que a direção do HRG retirou a atribuição de agendamentos de atendimentos para consultas ambulatoriais e de exames médicos, sob pretexto de haver muita demanda. Porém a unidade passou a receber pacientes advindos de Goiás, de forma atípica, para passar por procedimentos no HRG.

De acordo com o servidor, embora houvesse a ‘desculpa’, de haver alta demanda, para justificar um ‘controle’ direito da gestão em relação às marcações de algumas consultas e exames, o HRG passou a receber pacientes advindos de Goiás. Muitos, sequer com ficha junto ao hospital e, alguns com pedidos de exames de clínicas particulares, algo considerado, ‘atípico’, de acordo com o profissional de saúde.

“A nova no Hospital do Gama é que estão proibindo servidores de marcar procedimentos de exames, com intuito de monopolizar as vagas. Estamos achando que é para colocar os pacientes no cabresto. Outro coisa, estão mandando muitas vagas para o Goiás e moradores do DF não conseguem marcar suas consultas e seu exames.”.

Publicidade

Segundo o servidor, outro fator que chamou atenção é que, tais pacientes, acabam por não enfrentarem longas filas. “Temos pacientes aqui do DF que estão na fila, aguardando por exames, muitos a mais de ano, alguns chegam a dois anos. E de repente, esses pacintes, que chegam de Goiás, conseguem a marcação com poucos dias. Como pode ter fila? Olha o tempo que o paciente recebeu o pedido e o tempo que paciente conseguiu fazer o exame, inclusive pedido do particular?”, questionou.

Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

13 x 425 dias?

Sobre o exame em questão, uma colonoscopia, o servidor explicou que a gestão alegou haver uma fila de 600 pacientes, desde 2015. “Porém olhe a data do exame e o tempo que paciente esperou período muito curto o que deveria ser o certo porém se existe essa fila não estar sendo respeitada.”, explicou.

Questionado sobre o tempo médio de espera, de um paciente, para a realização de uma colonoscopia, caso houvesse de fato, 600 pessoas na fila de espera, o servidor, após calcular encaminhou o resultado.“São 36 exames ao mês. Isso se funcionar a todo vapor, o que não ocorre pois o aparelho quebra o tempo todo, pois são muito antigos, mas velho que nós.”, brincou.

Dado esse que revela que ser necessário, em média, 16 meses para o usuário ter acesso à realização do exame, pelas vias normais.  Porém, chama atenção que o pedido de exame, da rede particular, datado de 15/05/2018, 13 dias depois foi recepcionado e o exame realizado no HRG.

Pacientes prejudicados

Embora reconheça que o Sistema Único de Saúde (SUS), seja universão, o servidor observou que essas ‘mudanças’ promovidas no HRG, acabam por prejudicar usuários da saúde pública do DF. Além de apontar a movimentação ‘atípica’ por parte da gestão.

“A gente atende a porta, escuta o paciente para ver a necessidade de prioridade, porém, não podemos fazer nada porque tiraram todas as vagas eles alegam uma fila grande. Porém como você pode ver estão marcando paciente de pedidos recentes. E o que chama atenção é que não é prática nos hospitais da rede, marcarem realizações de exames para pedidos provenientes da rede privada. Se tornou comum pacientes da rede pública ir realizar exames na privada, mas o contrário em tese não tem cobertura da Secretaria.”, afirmou.

Retaliação

Ainda de acordo com o servidor, uma colega que trabalhava na Urologia percebeu essa movimentação ‘atípica’ e ao questionar, a mudaram de setor. “Ela era da urologia e já vinha observando essa vagas indo tudo pro Goiás e quando questionou a situação pediram para a tirarem do setor. Tu acredita? Será idéia do Rollemberg pegar votos no entorno? Que horror!”, disse.

A outra parte

Questionada sobre existência de reserva de vagas por parte de gestores a pacientes de Goiás; a retirada da atribuição de marcações de consultas e exames dos servidores; burlar protocolos da SES-DF, ao realizar exames solicitados por rede particular; o privilêgio de pacientes ‘atípicos’ em detrimento de outros em longas filas de espera; e se a direção do hospital tem prerrogativa de marcação de consultas a Secretaria se limitou a um dos questionamentos, sob argumento de otimizar e dar transparência ao serviço.

“A Diretoria do Hospital Regional do Gama (HRG) esclarece que, visando a otimização do serviço e em dar transparência à utilização das vagas ao usuário, houve uma adequação da marcação de exames na unidade a partir deste mês. Eles passaram a serem regulados pela Gerência de Regulação da Região de Saúde  (GERSU)  para paciente internados no hospital. Antes a marcação era realizado pelos profissionais que atuam no setor do exame, mas agora serão gerenciados pelo programa SISCOM WEB que, de forma segura, instituiu fila de espera conforme data da solicitação e prioridade definida pelo médico.”.

0

Comentário