Caos: Prontos Socorros pediátricos do HMIB e HRT limitam atendimento a casos emergenciais

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Hospitais decretam protocolo de atendimento em bandeira vermelha e profissionais de Saúde temem reações de revolta por parte dos pais das crianças que ficarem sem atendimento

Por Kleber Karpov

Na noite de quinta-feira (6/Abr), Política Distrital (PD) recebeu denúncia que o Hospital Materno Infantil (HMIB) decretou Bandeira Vermelha no atendimento do Pronto Socorro (PS) Pediátrico e, que o Hospital Regional de Taguatinga também estava prestes a, também, o decretar. Com isso, as duas unidades só devem fornecer atendimento a crianças em casos de emergência.

Sob sigilo de identidade, um médico da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF),  denunciou o caso ao Política Distrital (PD) com o receio de haver revoltas, par parte dos pais das crianças que devem ficar sem atendimento nos dois hospitais. “O HMIB decretou bandeira vermelha na pediatria. E o HRT está quase lá de novo.  advinha o que vai acontecer? Revolta geral pois a decretação de bandeira vermelha suspende o atendimento.”, disse.

O médico expressou ainda preocupação em relação à possibilidade de crianças em estado crítico terem os problemas de saúde agravados por falta de atendimento. “O HMIB está com a capacidade de atendimento excedida no PS Pediatria. Com várias crianças aguardando leitos de internação e observação. Com a capacidade de atendimento excedida, a decretação da bandeira vermelha no PS de Pediatria do  HMIB, para que o atendimento seja restabelecido, só deve acabar quando ocorrer vistoria dos gestores se houver liberação de Leitos.

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O que diz a SES

Em nota a SES-DF conformou a adoção dos protocolos de atendimento no PS pediátrico do HMIB e do HRT. Porém a pasta anunciou que ocorreu nesta sexta-feira (6/Abr), devido ao grande número de pacientes internados.

“Por este motivo, o atendimento na emergência é feito prioritariamente aos casos graves. Lembramos que a demanda por pronto atendimento em pediatria aumenta em 40% nos meses de março e abril devido à circulação sazonal dos vírus respiratórios, que atingem de forma mais impactante a população pediátrica.”.

Descaso

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do DF (SINDMÉDICO-DF), Gutemberg Fialho, a saúde pública do DF é reflexo da falta de gestão e do descaso de Rollemberg para com a população do DF.

“Mesmo o GDF alardeando que está totalizando cerca de 8 mil servidores na gestão, ele se esquece de computador os profissionais de saúde que não tomam posse e mesmo os que se aposentam. Ainda assim, esse governo, que tanto alardeou que não faltava recursos mas sim gestão, demonstra ser mais do mesmo. Na verdade pior pois a saúde do DF nunca esteve tão caótica. São planejamentos equivocados, falta de competência para realizar dimensionamento de pessoal e o que temos são as pessoas cada vez mais sem atendimento e as mortes evitáveis aumentando a cada dia.”, disse ao ironizar o anúncio de Rollemberg da saída de cerca de 20 gestores para concorrer as eleições. “E esse desgoverno ainda faz questão de anunciar mudanças na gestão por  causa de gestores que estão deixando o governo para concorrerem nas próximas eleições. Talvez isso reflita esse governo, não existe preocupação com gestão, mas com os próprios interesses. Espero que, com essas mudanças, ao menos os substitutos tentem ajudar o que resta desse governo, ao longo desse fim de mandato.”, disparou.

Entenda as bandeiras

De acordo com a Pasta, “os atendimentos de emergência da rede pública do Distrito Federal foram reorganizados e seguem a Portaria nº 386/17, que estabelece diretrizes de contingenciamento em caso de necessidade. Nesta portaria, há cinco níveis de classificação das unidades: Bandeira Verde, quando não há restrição e a unidade funciona em capacidade plena; Bandeira Amarela, quando se preserva o atendimento de pacientes classificados como amarelo ou mais grave; Bandeira Laranja, quando está preservada a capacidade de atendimento de pacientes classificados em laranja ou mais grave; Bandeira Vermelha, quando há a capacidade de atendimento de pacientes classificados apenas com a cor vermelha; e Bandeira Negra, reservada a casos que afetem a unidade hospitalar como um todo e não permitam o funcionamento mínimo como instituição de saúde. Os casos de menor gravidade, seguindo a determinação da portaria, são direcionados às Unidades Básicas de Saúde.”.

Questionada sobre a falta de servidores nos hospitais públicos do DF, a pasta afirmou que nomeou 6.650 servidores desde o início da gestão do governador, Rodrigo Rollemberg (PSB) e que outros 1.485 devem ser recebidos pela rede nos próximos dias “que permitirão, dentre outras coisas, a reabertura de aproximadamente 180 leitos e o reforço de serviços. Estes novos servidores ampliarão a capacidade de atendimento da rede e, consequentemente, contribuirão para a redução da decretação de Bandeira Vermelha.”.