Com rendimento pífio, gestão do IHBDF começa a ‘inventar moda’?

1039
Print Friendly, PDF & Email

Servidores fazem abaixo-assinado para tentar impedir fechamento do Laboratório de Análises Clínicas do Pronto Socorro do IHBDF

Por Kleber Karpov

Uma Petição Pública começou a circular nas redes sociais, para tentar impedir o fechamento do Laboratório de Análises Clínicas do Pronto Socorro (PS) do Instituto Hospital de Base do DF (IHBDF). Nela, servidores da unidade questionam suposta economia proposta pela gestão ao transferir o Laboratório para outro local no IHBDF, a 800 metros de distância do PS. Os profissionais de Saúde também cobram “explicações plausíveis” para tal mudança.

“A nova gestão alega economia com custos, porém todos os equipamentos serão reinstalados em outro local com distância de cerca 800 metros do Pronto Socorro, inviabilizando a eficiência, eficácia e qualidade dos exames laboratoriais de urgência realizados pelos 43 servidores públicos existentes. Vale salientar que o tempo de execução e liberação de todos os exames do Laboratório atualmente está em cerca de 2 h a 2:30m. Tempo menor e melhor do que os dois maiores laboratórios privados do DF. Essa ação de fechamento, dificultará o diagnóstico e tratamento dos pacientes que são atendidos pelos médicos de todo o Pronto Socorro, UTI e Centro Cirúrgico.”.

Invenção de moda

Na petição um servidor da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), manifestou contrariedade à mudança, ao que chamou de “invenção”, além de sugerir que o secretário de Estado de Saúde do DF, Humberto Lucena Pereira da Fonseca, volte à faculdade.

“Isso é invenção de quem não tem conhecimento da viabilidade de exames emergenciais, esse secretário de Saúde não tem competência para estar ocupando esse cargo, prova disso são os estragos que está causando na saúde. Volte para a faculdade Humberto. Quem não tem competência não se estabeleça.”.

Assinaturas

O documento virtual, registrado em Petiçãopública.com, conta com 225 assinaturas e deve ser entregue ao diretor-presidente do IHBDF, o médico, Ismael Alexandrino, o secretário de Saúde do DF, Humberto Lucena Pereira da Fonseca e, ainda, ao governador do DF, Rodrigo Rollemberg.

Reconsideração

O presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Laboratório do DF (SINTRALAB-DF), André Angelo também criticou as ‘mudanças’ propostas pelos gestores do IHBDF.

“O diretor quer mudar o laboratório de local e com isso, ele quer que seja apenas um laboratório, tanto para a rotina quanto para a emergência, porém, os servidores da emergência terão que andar 800 metros. O Hospital de Base é uma cidade. Eles querem alegar redução de custo, mas como vai reduzir o custo pegando o mesmo maquinário apenas para levar para outra sala? E vai pegar o servidor para andar 800 metros, percorrendo o hospital todo. É uma coisa que não dá para entender, a cabeça dos gestores”, disse, ao observar que deve tentar se reunir, nessa semana, com Ismael Alexandrino, para pedir reconsideração, do gestor, em relação a tal mudança.”.

Rendimento questionável

Convertido em Instituto, desde janeiro, e com a promessa de aumentar em 20% o atendimento da demanda de atendimento do Hospital de Base em 2018, a gestão do IHBDF se tornou alvo de críticas de políticos e, sobretudo de profissionais da Saúde. Entre os motivos estão problemas rotineiros, de outras unidades de saúde, que parecem ter se acentuado sob a gestão do Serviço Social Autônomo (SSA) IHBDF.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do DF (SINDMÉDICO-DF), Gutemberg Fialho, a falta de medicamentos, de insumos, de manutenção dos equipamentos quebrados, a exemplo de aparelhos de tomografia e do ar-condicionado dos Centros Cirúrgicos que resultaram na suspensão de realizações de cirurgias eletivas estão entre os problemas que se acentuaram.

“Infelizmente, e digo infelizmente, pois a população é a grande prejudicada, essa tentativa de manobra eleitoreira, do senhor governador Rodrigo Rollemberg, apenas piorou a qualidade do atendimento à população que precisa de assistência de alta complexidade. Pois se o hospital já funcionava em condições críticas, com a transformação em Instituto, está nítido que o atendimento piorou e está caótico. Espero que as autoridades e os parlamentares que defenderam a criação do Instituto saiam debaixo do ar condicionado e tentem reverter essa situação, pois como sempre dissemos em relação ao Projeto de Lei que originou o Instituto Hospital de Base, agora a unidade física, também está se tornando um Frankenstein.”, criticou Fialho.

Outro problema que deve impactar o caos no IHBDF foi a suspensão do Processo Seletivo pelo Tribunal Regional do Trabalho 10a Região, por práticas discriminatórias, e sub-valorização de profissionais de saúde. A ação foi proposta pelo Ministério Público do Trabalho que questiona, ainda, a própria criação do SSA IHBDF.

A outra parte

Procurada no domingo (1o/Abr), a SES-DF pediu prazo para dar resposta, porém, até a publicação da matéria, a pasta não se manifestou sobre o assunto.