Sindicalista aponta contrassenso entre discurso de humanização de partos e acolhimento de grávidas no chão do HRC

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Em entrevista em rádio, secretário adjunto deixa a entender que pode voltar a acolher grávidas no chão do hospital de Ceilândia

Por Kleber Karpov

Na última semana, o vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (SINDATE-DF), Jorge Vianna denunciou o caso de mulheres grávidas, em trabalho de parto, acolhidas no chão do Hospital Regional de Ceilândia (HRC). A denúncia foi publicada nas redes sociais do sindicalista e repercutido por Política Distrital (PD)(25/Fev).

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Como que para aliviar a tensão, a Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), publicou matéria (2/Mar) em que abordou a humanização, como palavra de ordem da Unidade de Terapia Intesiva (UTI) neonatal do hospital (Veja aqui).

No entanto, na avaliação de Vianna, a iniciativa poderia ser considerada louvável, não fosse uma entrevista do Secretario-Adjunto de Assistência à Saúde, Daniel Seabra Resende Castro Correa, à Rádio CBN, na sexta-feira (2/Mar), sobre as grávidas obrigas a ficarem no chão, enquanto aguardavam o parto.

Ao ser questionado pela repórter da CBN sobre o acolhimento das gestantes no chão, o adjunto afirmou que a preocupação da unidade é de garantir 100% de atendimento aos pacientes que chegam na unidade e que naquele fim de semana. Isso porque o número de grávidas que procuraram o HRC naquele fim de semana superou a capacidade de leitos do hospital.

Segundo Seabra, o HRC tem capacidade de receber entre 18 e 20 grávidas por dia, quando receberam 29 no sábado e 21 no dia seguinte. Na fala de Seabra, “infelizmente foi forma que se encontrou de dar atendimento, não nas condições ideais.”.

No entanto, para o Jorge Vianna, o adjunto da SES-DF foi infeliz na colocação, pois deu margem ao entendimento que, para garantir atendimento aos pacientes que recorrem ao HRC, as condições dígnas de atendimento à pessoa humana devem continuar a ser ignoradas.

“O secretário adjunto disse que o problema pode continuar acontecendo por não terem estrutura. Sem medo nenhum e com a falta de humanidade, ele assume e diz que é normal pacientes gestantes no chão, porque é melhor atender. Se fosse a esposa, filha ou qualquer parente dele, com certeza isso não seria normal. O certo Sr. Daniel Seabra é dizer que essa situação é desumana e que fará de tudo para isso não acontecer mais com essas mulheres, e não achar isso normal…”, disse Vianna em uma rede social.

Na entrevista à CBN, Vianna sugeriu o aumento do número de leitos e, na impossibilidade, a ampliação do Centro Obstétrico do HRC. Ao PD, o sindicalista comentou a postura do gestor da SES-DF,

“O governo vem com essa história que lamenta a superlotação, deixa a entender que se houver novos casos de receber mais pacientes que a quantidade de leitos que essas grávidas vão para o chão e no entanto, eles não movem um milímetro para modificar a estrutura e garantir atendimento, de fato, humanizado aos pacientes. Todos nós sabemos que Ceilândia é a maior cidade do DF e que o Hospital de Ceilândia há anos ficou obsoleta para atender as demandas dos moradores. Vamos ver se eles de fato estão preocupados com humanização do parto e comecem a garantir que a humanização comece com a recepção da grávida.”, disparou.

Confira a entrevista

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