Servidores das UPAs reclamam da falta de segurança por reduzirem a quantidade de vigilantes nas unidades

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GDF pensou nos vigilantes mas ignorou a segurança dos servidores e dos pacientes, afirma vice-presidente do SINDATE-DF

Por Kleber Karpov

Na quinta-feira (12/Out), um grupo de servidores da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Recanto das Emas, criticaram a retirada de dois dos quatro vigilantes que atuam na unidade. Situada em área de alta incidência de crimes e de vulnerabilidade social, os profissionais pedem o retorno da segurança da, com o efetivo necessário à garantir a segurança patrimonial, dos servidores e pacientes daquela UPA.

Em denúncia publicada em grupos do aplicativo Whatsapp, os servidores, sugerem amadorismo e irresponsabilidade por parte da gestão da SES-DF em reduzir o efetivo.

“Gente a SES/DF está retirando 2 vigilantes do plantão noturno da UPA-RE. Um absurdo! Como ficaremos com apenas 2 vigilantes no plantão e 4 vias de acesso na UPA? Justo no plantão noturno que apresenta maior produtividade, portanto maior fluxo de pacientes e acompanhantes, é só olhar nos relatórios do Trakcare! Coisa de amadores ou irresponsáveis! A Upa do Recanto fica em uma região de vulnerabilidade social, umas das menores rendas per capitas do DF. Na localidade da UPA são registrados inúmeros crimes: sequestros relâmpagos, roubo de carros, tiroteio, assaltos a mão armada dentre outros, principalmente no período da noite, horário de menor policiamento por causa do grande número de ocorrência, que os grandes gestores da região sudoeste querem reduzir o quadro de vigilantes de 4 para 2, deixando em situação de risco uma equipe de plantão noturno constituída de 95% de mulheres e as vezes 100%.”

De acordo com um dos servidores que conversou com PD que, sob sigilo de identidade explicou que “a UPA Recanto das Emas tem quatro áreas de acesso à unidade e, ao ter o efetivo reduzido para dois vigilantes, a segurança fica comprometida”, disse.

Mas o problema atinge também a UPA Núcleo Bandeirante, o presidente do Sindicato dos Técnicos e Auxiliares em Laboratório do DF (SINTRALAB-DF), André Angelo criticou, na noite deste domingo (15/Out), a presença de apenas um vigilantes na UPA.

Falsa Economia

Em agosto, o GDF fez a promessa de regularizar a situação de aproximadamente 2,6 mil vigilantes. Desses, metade para atuar na segurança de patrimônio e de pacientes nas unidades da SES-DF e a outra metade em outros 64 órgãos do GDF. Uma das medidas anunciadas foi a licitação de nove lotes, de um total de 16, com 1.334 postos, com duas pessoas por posto, nas unidades da Saúde.

Na ocasião o GDF afirmou que a licitação permitira segurança aos vigilantes, além de outras garantias. O governo anunciou ainda uma economia de R$ 50 milhões anuais, 250 milhões ao longo de cinco anos, aos cofres públicos.

Porém, para o vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (SINDATE-DF), Jorge Vianna, “o governador do DF pensou nos vigilantes mas ignorou a segurança dos servidores e dos pacientes” ao reduz o quadro de vigilantes.

“O governo está dando uma demonstração clara, que está cortando em serviços essenciais para poder economizar e depois mostrar nos balanços que houve economia na Saúde. Quando você corta, por exemplo, a alimentação dos servidores, como aconteceu na Região Norte, onde tiraram o café da manhã do servidor, por causa do contrato, lógico, que ficou mais barato, mas penalizou o servidor. Agora diminuíram também o contrato com os vigilantes e, futuramente, também vão tirar na limpeza. Estão cortando em áreas que jamais poderiam mexer, a alimentação, limpeza e segurança. Querem forçar uma economia mas, ignoram que estão colocando em risco a segurança do trabalhador e dos pacientes. Imagine uma unidade de saúde com redução no quadro da limpeza. Certamente, vai aumentar as incidências de infecções hospitalares nas unidades de saúde.”, disse Vianna.

O que diz a SES

Na quinta-feira (12/Out), PD entrou em contato com a SES-DF para saber o motivo da redução do efetivo de seguranças na UPA Recanto das Emas. Na ocasião, por meio da Assessoria de Comunicação, a pasta se limitou a informar que “com a vigência de um novo contrato de segurança patrimonial nas unidades, o efetivo será redimensionado, sem prejuízo o serviço que hoje é oferecido.”.