Rollemberg escapa da Procuradoria Geral da República, mas pode esbarrar no Ministério Público do DF

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Após se livrar da mordida de Drácon, Rollemberg vai para na sala de espera do MPDFT por tentativa de obstrução da CPI da Saúde

Por Kleber Karpov

Parte do inquérito da Operação Drácon que envolve o nome do governador do DF, Rodrigo Rollemberg, foi devolvido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT)(4/Out). Responsável por investigar governadores de Estado, coube a PRG investigar suspeitas de participação do chefe do Executivo, em áudios gravados pela deputada distrital, Liliane Roriz, sob investigação do MPDFT.

No parecer, o vice-procurador-geral, José Bonifácio Andrada, isenta Rollemberg e parentes, de indícios de participação direta “nos fatos narrados e tidos por ilícitos”. Porém, o Procurador adverte para a possibilidade de tais práticas ocorrerem em “vários escalões da administração pública” do DF.

Andrada devolveu a investigação ao MPDFT em que recomenda a continuidade das investigações. O Procurador considera necessária a apuração de fatos que, supostamente pode ter favorecido um grupo variado de pessoas, empresas e instituições.

“Há todavia elementos suficientes para que se prossiga na apuração de alguns dos fatos que teriam resultado em favorecimento indevido a servidores públicos, empresas, organizações sociais, e membros da Assembleia Legislativa local”

De um lado Rollemberg respira aliviado uma vez que, de acordo com fonte de Política Distrital que pede para não ser identificada, “os nomes do governador e da primeira dama, foram mencionados mais de 40 vezes nos áudios gravados por Liliane Roriz, denunciados ao MP [MPDFT]”.

Mas na CLDF

Do outro, porém, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara Legislativa do DF (CLDF), Wellington Luiz (PMDB) deixa claro que o chefe do Executivo pode não ter a mesma sorte junto ao Ministério Público. Conforme divulgado com exclusividade, por Política Distrital, Wellington Luiz pretende denunciar Rollemberg ao MPDFT por obstrução nas investigações da CPI da Saúde.

Na tribuna do plenário da CLDF, o Distrital, falou sobre a ligação recebida da parte do governador (2/Out), revoltado com o afastamento do então conselheiro do Conselho de Saúde do DF (CSDF), Renilson Rehem pelo Tribunal de Contas do DF (TCDF) após parecer do Ministério Público de Contas do DF (MPC-DF) que apontou conflitos de interesses nas diversas funções exercidas pelo gestor público de Saúde.

Isso porque além de conselheiro do CSDF, Rehem acumula outras funções: diretor-geral do ICIPE, Organização Social (OS) responsável pela gestão do Hospital da Criança de Brasília José de Alencar (HCB); presidente do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), entidade que congrega 19 OSs em todo país;  e, membro do Grupo de Trabalho da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), para definir, junto com outros seis gestores, o futuro da Saúde Pública no DF.

Vale observar que essa última função ocorreu de forma irregular, uma vez que quatro dos sete integrantes do GT, foram nomeados como se fizessem parte dos quadros de servidroes da SSE-DF, algo que não procede.

Nesse sentido, Política Distrital questionou o ex-secretário de Saúde do DF, Fábio Gondim, sobre as nomeações. Na ocasião Gondim explicou que estava no cargo há apenas 20 dias e por isso não tinha conhecimento que Rehem não pertencia ao quadro de servidores da SES-DF.

Intimidação

De acordo com o Deputado, Rollemberg usou “palavras de intimidação” contra a CPI e os policiais que investigam denúncias de corrupção na. O parlamentar contou que quatro delegados o acompanhava na ocasião da ligação do governador e já adotou providências contra o que chamou de “atitude desastrosa, intimidatória e desesperada” de Rollemberg.