Presidente da CPI da Saúde minimiza as declarações de autor do fluxograma

Presidente da CPI minimiza as declarações de autor do fluxograma. Marco Junior irá depor em agosto

Por Francisco Dutra

O presidente da CPI da Saúde, deputado distrital Wellington Luiz (PMDB), procurou minimizar as declarações do ex-subsecretário de Infraestrutura e Logística da Saúde, Marco Júnior. Em entrevista exclusiva ao JBr., ele assumiu a autoria do organograma apresentado pela presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues. No entanto, segundo o ex-subsecretário, a peça não retrata um esquema de corrupção na pasta da Saúde, mas sim as indicações políticas dentro do órgão.

“As controvérsias apresentadas pelo senhor Marcos Júnior não alteram o fato dele ter desenhado aquele organograma. O que tem valor para a investigação são duas coisas: primeiro, são as gravações da conversa que ele teve com Marli; segundo, será o depoimento dele na CPI. Se ele mentir incorrerá em crime”, afirmou Wellington.

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Classificado como peça-chave para os trabalhos da comissão, Junior será o primeiro personagem a ser convocado para depor em agosto. Na sequência, os deputados esperam ouvir o ex-secretário de Saúde, Fábio Gondim, o atual subsecretário de Infraestrutura e Logística, Marcello Nóbrega e, por fim, o ex-diretor do Fundo de Saúde do DF, Ricardo Cardoso.

Conforme o relato de Júnior, a presidente do SindSaúde tinha o interesse de chegar à verdade, no entanto ela desvirtuou alguns pontos da história. “Ela fugiu um pouco da realidade. Pegou a gravação (com o vice-governador Renato Santana) e juntou com o desenho, que não tinha nada a ver”, disse Júnior. “Não foi um papel que eu escrevi (sobre propina). Foi um papel que eu ajudei a identificar as nomeações de quem estava lá”, acrescentou.

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O fluxograma apresenta vários nomes, entre eles os do governador Rodrigo Rollemberg, da primeira dama Márcia Rollemberg e do chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio.

A peça também levanta dúvidas quanto aos deputados distritais Cristiano Araújo (PSD) e Robério Negreiros (PSDB), membros da própria CPI.

Nesta semana, a CPI buscará documentos sobre o caso com o Ministério Público. Segundo Wellington Luiz, Marli Rodrigues teria entregue provas que não apresentou à comissão na semana passada.

GDF levará as OSs à frente
Do ponto de vista do núcleo do governo, o depoimento de Marli Rodrigues na semana passada se resume a uma palavra: pirotecnia. Amigo, conselheiro e aliado político do governador Rodrigo Rollemberg, o secretário de Mobilidade Urbana, Marcos Dantas, considera que as denúncias não tem sustentação.

Na avaliação de Dantas, as denúncias são uma ofensiva contra o projeto de contratação de Organizações Sociais (OSs) para serviços da Saúde. “Estes ataques partem de um sindicalismo atrasado. Ele combate novas formas e métodos. E estamos sugerindo mudanças que incomodam os dirigentes de corporações. Os dirigentes não estão preocupados com a melhoria do atendimento da população. Estão preocupados com a mudança do status quo”, desabafou Dantas.

O turbilhão causado pelas denúncias pode abalar o cronograma para o lançamento dos primeiros editais de contratação para OSs. No entanto, mesmo com o eventual atraso, o governo ainda pretende levar o projeto à frente. Para Dantas, o debate não deve mais se ater à episódios do passado, mas sim a redação de contratos seguros e eficientes para a população. O secretário argumentou que projeto começará de forma setorizada, em Ceilândia, justamente para facilitar a fiscalização e o controle.

Fonte: Jornal de Brasília

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