Quadrilha monta esquema ilegal para compra de marca-passo em SP

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Médico e um funcionário do Hospital das Clínicas de SP são suspeitos de receber propina. Operação ‘Dopamina’ é realizada pelo MPF e PF.

Por Flávia Freire

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal fizeram uma operação nesta segunda-feira (18) contra uma quadrilha que agia no maior hospital do país, o Hospital das Clínicas em São Paulo.

A operação, chamada de “dopamina”, foi realizada pelo Núcleo de Combate à Corrupção e Improbidade Administrativa, criado pelo Ministério Público Federal de São Paulo, em parceria com a Polícia Federal.

Segundo a polícia, o neurocirurgião Erich Fonof e o diretor administrativo, Waldomiro Pazin, ambos do Hospital das Clínicas de São Paulo, são suspeitos de orientar pacientes a ingressarem com ações na Justiça para conseguir liminares em caráter de urgência para implante de marca-passo para o tratamento do Mal de Parkinson. Uma doença degenerativa que limita os movimentos voluntários do corpo, por falta de um neurotransmissor chamado dopamina, daí o nome da operação.

Assim que a liminar era concedida, marca-passo e eletrodos, usados no procedimento cirúrgico, eram comprados sem licitação da empresa Dabsons, do empresário Vitor Dabah. Segundo a polícia, para fornecer o equipamento, com exclusividade, o empresário pagava propina aos funcionários do HC.

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O valor do conjunto era superfaturado, vendido por R$ 114 mil. Comprado com licitação pelo SUS, o equipamento sairia por R$ 27 mil.

“O médico que realizava 75% dessas cirurgias, ele tinha uma clínica, então ele emitia uma nota fiscal para a empresa fornecedora como se tivesse prestado serviços para a empresa. A empresa depositava esses valores ou remunerava como se fossem pagamentos no serviço, mas na verdade, tudo indica que seria uma forma de propina”, fala Thaméa Danelon, procuradora da República.

De acordo com a investigação, o esquema funcionou entre 2009 e 2014. Nesse período, foram realizadas 154 cirurgias para implante de marca-passo. O prejuízo aos cofres públicos, segundo a polícia, chega a R$ 13,5 milhões.

Em São Paulo, a polícia cumpriu dez mandados de busca e apreensão e quatro de condução coercitiva, quando um suspeito é chamado a dar esclarecimentos à polícia. Um mandado de busca e apreensão também foi cumprido numa empresa do Rio de Janeiro, que vende produtos médicos.

Os quatro suspeitos levados em condução coercitiva foram ouvidos e liberados. A advogada da empresa Dabsons disse que não teve acesso às investigações e que, por enquanto, a empresa e seu dono, Victor Dabah, não vão se manifestar.

O neurocirurgião, Erich Fonoff, informou que as denúncias causam surpresa e indignação. E que está à disposição das autoridades para contribuir com o esclarecimento do caso. A coordenação do Hospital das Clínicas informou que a instituição colabora com as investigações desde fevereiro e que vai abrir uma apuração interna sobre o caso. O diretor Waldomiro Pasin não foi encontrado.

Fonte: G1/Jornal Hoje SP