TJDF marca julgamento de ação que define futuro político do clã Roriz

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O ex-governador e as filhas já foram condenados em 1ª instância por improbidade administrativa. Decisão pode sepultar planos eleitorais da deputada distrital Liliane Roriz. Família é acusada de receber 12 apartamentos em Águas Claras em troca de facilitar empréstimo do BRB a construtora

Por Maria Eugênia

O destino político da família Roriz pode ser definido no próximo dia 13 pelo Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). Na data, a 5ª Turma Cível vai julgar recurso contra a condenação do ex-governador Joaquim Roriz e de suas três filhas, Jaqueline, Wesliane e Liliane, por improbidade administrativa. A família é acusada de ser beneficiada com 12 apartamentos em Águas Claras em troca de ter facilitado um empréstimo do Banco de Brasília (BRB) à construtora WRJ Engenharia. Nem mesmo o neto de Roriz, Rodrigo, escapa da ação que pode sepultar qualquer intenção eleitoral do clã, dependendo da decisão.

O empréstimo foi concedido em 2006, quando Roriz era governador. O grupo já foi condenado em primeira instância, no ano passado. De acordo com as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), os acusados teriam participado de um esquema para concessão de empréstimos no total de R$ 6,7 milhões à construtora.
“O favorecimento ilegal, tanto na concessão quanto na renegociação dos empréstimos, deu-se por obra da influência política do ex-governador do DF, que recebeu, em contrapartida, por intermédio de suas filhas, netos e da empresa JJL Administração e Participação LTDA., 12 unidades habitacionais”, diz a denúncia.

Caso a condenação seja mantida, todos ficarão enquadrados na Lei da Ficha Limpa e não poderão mais disputar eleições. O patriarca e Jacqueline já têm condenações em segunda instância e, por isso, são ficha-suja. Já o destino da distrital Liliane Roriz (PTB) está em jogo. Se condenada, não poderá se candidatar.

Em resposta à acusação, a deputada apresentou vários argumentos e, em resumo, defendeu que: a denúncia não deveria prosseguir, pois não descrevia adequadamente as ações de cada autor; segundo a Constituição Federal, nenhuma acusação pode ultrapassar as pessoas que participaram de um eventual crime; a impossibilidade da configuração do crime de corrupção passiva e a inexistência de crime anterior impedem a caracterização do delito de lavagem e, ainda, que não tinha ciência de qualquer tratativa feita pelo seu pai em relação ao tema tratado na denúncia.

Segundo o processo, os 12 apartamentos são no empreendimento Residencial Monet. Os irmãos Renato e Roberto Cortopassi, proprietários da WRJ; o ex-presidente do BRB Tarcísio Franklin de Moura, Antônio Cardozo de Oliveira e Geraldo Rui Pereira, ex-diretores do banco também foram condenados por improbidade no mesmo processo.

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Fonte: Metrópoles