Difusão do sistema Braille é defendida em audiência pública na Câmara Legislativa

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Representantes de várias instituições ligadas aos deficientes visuais defenderam na manhã desta sexta-feira (8) uma maior difusão do sistema Braille, em audiência pública promovida pela Câmara Legislativa do Distrito Federal. Entre as principais reivindicações das instituições estão a isenção de impostos dos equipamentos braille para baratear o custo e também a exigência de que as empresas fornecedoras ofereçam formação para manuseio e manutenção das máquinas.

A audiência púbica foi proposta pelo deputado Wellington Luiz (PMDB), com a finalidade de debater a importância da implementação do sistema de escrita e leitura para as pessoas com deficiência visual e em comemoração ao Dia Nacional do Sistema Braille (8/4). O deputado, que é autor de projetos como o que cria a escola bilíngue do DF, destacou a luta diária dos deficientes visuais. Para ele, o Brasil ainda precisa avançar muito para promover a inclusão destas pessoas. “Temos que vencer resistências e preconceitos, mas temos que continuar lutando”, assinalou.

A audiência foi realizada no auditório da Câmara Legislativa e contou com a participação de dezenas de deficientes visuais, inclusive crianças. A apresentação de um coral formados por crianças do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais abriu o evento, que contou ainda com a exibição de vídeos sobre a origem e a importância do Braille e declamação de poesias de alunos cegos em processo de alfabetização.

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Calcula-se que atualmente existem cerca de 529 mil cegos no Brasil. Um deles, o estudante Luís Eduardo Fonseca Dorneles, de nove anos, explicou ao seu modo como o Braille é importante no seu dia a dia e na escola. “Não somos analfabetos. Conseguimos ler, mas precisamos de material em Braille”, cobrou.

O representante da Comissão Brasileira do Braille no Centro-Oeste, Fernando Rodrigues, informou que a instituição está investindo na realização de vários cursos de formação, entre eles os de manuseio de impressora e revisão em Braille. Os cursos serão ministrados em todos os estados brasileiros, numa tentativa de resolver um dos problemas que mais atrapalham a difusão do sistema especial de escrita.

Já o presidente nacional do Instituto Blind Brasil (IBB), Charles Jatobá Queiroz Santana, ressaltou que o Braille é importante para que os cegos adquiram saber e exerçam sua cidadania com independência. Ele sugeriu a aprovação de um projeto de lei que obrigue os fornecedores de equipamentos em Braille a também darem treinamento para o uso e o conserto das máquinas. O deputado Wellington Luiz já adiantou que pretende apresentar a proposta.

A diretora administrativa da Associação Brasiliense de Deficientes Visuais (ABDV), Adriana Lourenço das Candeias, reclamou que os equipamentos existentes são muito caros. Ela sugeriu a implantação de uma política de isenção de impostos para abaixar os preços das máquinas.

O Senado Federal é o único parlamento no mundo que possui uma gráfica que imprime material legislativo em Braille. A chefe do serviço de impressão em Braille da secretaria de editoração e publicação do Senado, Marinete Brito Pontes, participou da audiência e disse que o órgão pretende ampliar a impressão de material em braille.

Também participaram do debate o gerente de acesso às cidades, Elianildo Nascimento, representando o Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos; a diretora de ensino especial da secretaria de Educação, Iêdes Soares Braga; o diretor do Centro Especial de Deficientes Visuais, Airton Dutra de Farias, e a responsável pela Comissão de Acessibilidade do Senado Federal, Célia Pessoa.

Pontos – O Braille é um sistema de códigos em alto relevo que representam todas as letras do alfabeto, números, símbolos aritméticos e etc. O sistema é composto por seis pontos, divididos em duas colunas de três pontos, formando no total 63 combinações diferentes, sendo cada uma representante de um número, letra, pontuação e etc. O sistema Braille foi criado na França, em 1825, pelo francês Louis Braille, que perdeu a sua visão quando tinha apenas 3 anos de idade.

Fonte: CLDF

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