Alta rotatividade no GDF preocupa

Por Ricardo Callado

Em pouco mais de um ano foram muitas as mudanças no primeiro escalão do Governo do Distrito Federal. E a maior parte em áreas vitais da administração pública. Foram três secretários de Fazenda, dois secretários de Segurança Pública, dois comandantes da Polícia Militar, dois chefes da Casa Civil, dois chefes da Comunicação, dois secretários de Saúde, além do primeiro anunciado que nem chegou a assumir, dois chefes da Controladoria, dois secretários de Mobilidade, entre outros.

Além disso, algumas pastas deixaram de existir e seus titulares foram rebaixados a adjuntos. É o caso da Relações Institucionais, Turismo, Esporte e Lazer, Gestão Administrativa e Desburocratização e Trabalho e Empreendedorismo.

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Nas administrações regionais, algumas já estão no segundo administrador, como Águas Claras e Guará. Outras estão sem titulares, como o Vicente Pires onde foi designado no primeiro semestre de 2015 o vice-governador Renato Santana para assumir interinamente. Santana esteve duas vezes na administração. A primeira para assumir o cargo e a outra durante o aniversário da cidade.

O governador Rollemberg prepara novas mudanças para depois do Carnaval. A Chefia de Gabinete deve ter novo ocupante. Essa alteração é esperada desde o ano passado a pedido do atual chefe, Romulo Neves. Ele ainda se mantém no cargo por fidelidade ao governador, mas reiterou sua disposição de deixar a função. Acredita que já cumpriu a sua missão.

Mesmo com tantas mudanças, a cara do governo não mudou. O primeiro escalão continua tendo um perfil mais técnico-burocrata que político-administrativo. Joe Valle é o único parlamentar a ocupar um cargo no primeiro escalão. E o PSB, partido do próprio governador, foi o que mais perdeu espaço com a mais recente reforma no secretariado. De três ficou apenas com um secretário.

Rollemberg precisa promover um freio de arrumação. Dar um perfil mais político ao governo. E destravar algumas áreas essenciais. Assim, pode melhorar a imagem do Buriti. E a sua imagem. A alta rotatividade no primeiro escalão não é boa. Mostra descontinuidade, mesmo sendo em alguns casos, o substituto da própria equipe existente.

A estabilidade de integrantes do primeiro escalão é importante, para que o setor público atinja bons resultados e seja responsivo às demandas dos cidadãos. O excesso de estabilidade dos burocratas em seus cargos, no entanto, pode ser também prejudicial. Mudar, muitas vezes, é necessário. Mudar demais, demonstra uma sequência de escolhas erradas. E na administração público o governante não tem o direito de errar com recorrência.

No serviço público, é preciso oxigenar as ideias. A falta de circulação de novas ideias e de debate público e político sobre temas próprios da burocracia faz governos sofrerem com problemas que poderiam ser de fácil solução. Governos fechados em si não acolhem novidades. Mas sim isolam seus proponentes.

Sem ideias novas e com uma alta rotatividade, periga o efeito negativo do desempenho do serviço público. Isso permitir que se perca o expertise organizacional e temático; dificulta a implementação de avaliação do desempenho; aumentar o tempo de monitoramento por parte do chefe do Executivo, pois monitorar novos atores é mais difícil do que monitorar atores com os quais já se convive há mais tempo; e torna órgãos com rotatividade alta demais emperrados. Um novo gestor leva meses até tomar pé de como realmente funciona a sua pasta.

Mas se for necessário mudar, que a escolha seja a correta, para evitar uma nova mudança pouco tempo depois.

Fonte: Blog do Callado

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