Cardiologista aponta falta de remédio no Hospital de Base do DF

Secretaria de Saúde afirma haver medicação substituta.

Por Kleber Karpov

Uma conversa entre médicos que vazou em um grupo do aplicativo Whatsapp causou polêmica após veiculação nos jornais, Bom Dia DF e DFTV 1ª Edição. Na mensagem um cardiologista reclama a falta dos medicamentos Dobutamine e Milrinone no Hospital de Base do DF (HBDF), durante plantões realizados no decorrer da semana que, de acordo com o profissional, pode causar a morte evitável de pacientes. A Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), no entanto, afirma que há opções substitutas.

Na mensagem vazada o cardiologista reclama: “[…] Acho que o melhor atendimento possível que estamos conseguindo oferecer está muito longe do mínimo. Não está nada razoável continuarmos assim. Fiz vários plantões essa semana e foi um tal de 3 da manhã troca dobuta [Dobutamine] por milrinone, 6 da manhã troca por dobuta, até que finalmente essa noite trabalhamos sem milrinone e pegando dobuta de carro de samu, pedindo de aqui e ali e terminamos informados que não há mais dobuta ou milrinone para ser captado. Temos pelo menos 2 pacientes que se acabar a dobuta, devem morrer em breve. Uma delas tem 45 anos!! A UCO/UTI HBDF não aceitam mais pacientes que precisam de dobuta por falta da medicação. Ligamos na regulação pra pedir prioridade na transferência e nos locais onde seria possível uma vaga, tb não havia dobuta. Não dá mais assim, gente!! […] (SIC).”.

SES se explica

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Em nota por meio da Assessoria de Comunicação (Ascom) informou que está com estoque reduzido de Dobutamina e Milrinona e que fez remanejamento dos medicamentos de outras unidades para o HBDF e explicou: “O remanejamento faz parte do novo sistema de logística que está sendo implementado para utilizar os medicamentos de forma racional evitando o desperdício.”.

A SES-DF explicou ainda que a Dobutamina está em processo de compra e tem dificuldade de efetuar a compra da Milrinona por causa do fornecedor: “No caso da Dobutamina, o processo de compra demorou por dificuldade do Laboratório na produção do medicamento, mas o processo já está sendo finalizado, o empenho já foi feito, e o produto deverá ser entregue em até uma semana. Quanto ao Milrinona, a Secretaria tem feito sucessivas tentativas de compra que vêm fracassando provavelmente por  falta de interesse do fornecedor.”

Remanejamento

Ao Política Distrital o secretário de Saúde, Fábio Gondim, explicou o novo sistema de logística de remanejamento entre a rede: “Não faz sentido eu ter em uma unidade um estoque um grande volume estocado de uma determinada medicação e abrir um processo de compra para outra unidade quando nós podemos remanejar estoques entre essas unidades.

Substituto

Embora houvesse falta dos medicamentos a SES-DF informou que o HBDF e toda rede mantém estoque de Dopamina, medicação que substitui tanto a Dobutamina quanto a Milrinona e pode ser usada de forma controlada que é o caso de UTI’s e das salas vermelhas.

Falta comunicação?

No entanto, algumas perguntas intrigam em relação a falta de Dobutamina e Milrinona no HBDF. Se o Hospital tem estoque de Dopanima, que pode ser utilizado em substituição às duas medicações e, se os cardiologistas têm conhecimento disso, porque tanto transtorno? A resposta pode estar na atenção que os médicos devem dar aos pacientes.

Isso foi o que explicou ao Blog, um médico, intensivista, que pede para não ser identificado: “A Dopamina é um medicamento que exige um pouco mais de atenção quanto ao monitoramento do médico ao paciente. Porém, por se tratar de um medicamento utilizado em UTI e nas salas vermelhas das emergências, onde sempre tem médicos.”, afirmou.

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