Homem: ser orgânico digital

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Foi-se o tempo em que recebíamos uma carta ou telegrama trazendo boas novas. Uma gravidez, um casamento ou a chegada inesperada de um parente próximo. Ficávamos absortos de alegria, emoção e sobretudo ansiosidade. Aliás, ansiosidade era a palavra chave que norteava os aclives e declives das emoções humanas. Será menino ou menina? Que roupa comprar para ir a festa? A noiva é bonita, feia, rica ou pobre? Eles chegarão de carro, ônibus e a que horas?  Essas eram algumas elucubrações, que nos deixavam ansiosos, para saber o quê, como e quando as coisas ocorreriam.

Agora, estamos no século XXI, e muita coisa mudou. Ultra-som antecipa em cinco meses o sexo do bebê. A Net, ha essa Net… Tornou tudo vapt e vupt. É MSN prá lá e prá cá. A mulher anuncia que está grávida e lá está a foto do feto em 3D no Orkut, Facebook. A ‘familharada’ recebe, a cada minuto, a nova foto do casal em lua de mel, antes mesmo do casamento acontecer: ‘estamos de quatro’, com a lindeza da vista da Torre Eifel. Nas viagens então, nem se fale: estamos no quilômetro 300, 250, 200, 180.. Haja tantos torpedos, SMS, chats e twitters.
Tanta tecnologia transformando o homem em um verdadeiro ser orgânico digital. Hiper interativo, e muitas vezes recluso do mundo real, em frente as telinhas dos computadores, celulares, TVs, geladeiras e sabe-se lá mais o quê. Atônitos como se esperassem que alguém simplesmente chegasse perto e apertasse a tecla Send.