CRM-DF e Ministério Público são acionados por problemas na traumatologia e ortopedia do Hospital do Paranoá

Sem estrutura, pessoal e materiais, servidores recorrem aos órgãos de controle

Por Kleber Karpov
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Servidores da Secretaria de Estado de Saúde do DF encaminharam uma correspondência ao Conselho Regional de Medicina do DF (CRM-DF) e ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) para expor a “Situação crítica atual da unidade de traumatologia e Ortopedia do Hospital Regional do Paranoá (HRPa).

Na carta, encaminhada em 20 de Outubro, o autor, que não pode ser identificado, informa que a unidade de traumatologia e ortopedia do HRPa atende mensalmente cerca de 6 mil. Ainda de acordo com o documento: “Mais de 40 pacientes aguardam cirurgias devido a fraturas, muitos há mais de duas semanas, com aumento de riscos de sequelas e incapacitando-os ao retorno de suas atividades laborais, levando o alto índice de absenteísmo, custos trabalhistas e indenizatórios ao Estado, além de grande sofrimento emocional e psicológico aos indivíduos.”

Idosos

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Outro ponto abordado na carta é o tempo estimado para a realização de cirurgias de idosos com fraturas do quadril é de 48 a 72 horas. Isso porque de acordo com o autor, essa espera aumenta o índice de morbimortalidade, com casos de pneumonia, consolidações viciosas, escaras, desnutrição e morte, além do aumento do stress psicoemocional de pacientes e familiares.

Ameaças

Ainda segundo o autor os médicos são ameaçados constantemente, por causa da demora da realização dos procedimentos cirúrgicos.

Falta de insumos

Os profissionais alegam que se esforçam para operar os pacientes de ortopedia e traumatologia, porém, a falta de insumos básicos a exemplo de esterilização de autoclaves, de materiais a exemplo de placas, parafusos, hastes metálicas, perfuradores, fixadores para casos de fraturas expostas ou lesões osteovasculares com risco de perda de membro, materiais incompletos.

A insuficiência de salas cirúrgicas, redução do quadro de anestesistas e técnicos em enfermagem também são mencionados no documento.

A SES Esclarece

Política Distrital questionou a Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) sobre a carta encaminhada ao CRM-DF e ao MPDFT e a situação real em relação ao HRPa. Por meio da Assessoria de Comunicação a SES-DF esclareceu: “um, dos três autoclaves, da unidade voltou a funcionar ontem (11). Os outros dois estão em manutenção, aguardando a chegada de peças para voltarem a fazer a esterilização dos materiais cirúrgicos.”.

Segundo a SES-DF o HRPa conta com três salas cirúrgicas em pleno funcionamento  e que uma anestesiologista da subsecretaria de Atenção à Saúde foi cedida ao HRPa “e, nesta quinta-feira (12) à tarde, já está operando pacientes.”.

Porém, de acordo com a SES-DF, em relação aos materiais em falta: “A direção esclarece que tem buscado, em outras unidades, materiais excedentes para suprir a demanda de ortopedia do Paranoá até que todas as atas de compras sejam concluídas, a fim de que nenhum paciente seja prejudicado.”

E o estoque para 50 anos de Órteses e Próteses?

Política Distrital publicou matéria intitulada Órtese e Prótese do DF: Desvendando a história não, ou, mal contada (18/Ago) que desconstruiu o suposto escândalo de existência de estoque de  materiais de órtese e prótese para 50 anos na Secretaria de Saúde. A conclusão obtida, a partir de documentos, de dados da própria SES-DF não tem estrutura e quadro de pessoal para atender a demanda reprimida de traumatologia e ortopedia, de mais de 4700 cirurgias eletivas e 250 emergenciais, nas unidades de saúde do DF, de acordo com declarações do ex-secretário de Saúde, João Batista de Sousa (Maio).

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