Omissão do governo faz empresários buscarem diálogo no Legislativo

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GDF ignora a crise e empresários procuram Câmara Legislativa

Desespero. A palavra define o momento vivido pelo empresariado no Distrito Federal. A crise econômica somada à falta de ação do governo do DF fez com que as entidades patronais buscassem apoio no Legislativo. Uma reunião com os deputados distritais no próximo dia 21 é vista como uma luz no fim do túnel pelos empresários. A tentativa é que a Câmara Legislativa venha a intermediar propostas que serão apresentadas.

O presidente da Associação Comercial do DF (ACDF), Cleber Roberto Pires, diz que há hoje uma dificuldade “muito grande” de entendimento entre a iniciativa privada e o governo. “Entendemos que o governador tenha boas intenções, mas as pessoas que estão em volta não estão entendendo que o empresário tem contas a pagar”, disse. Pires enumerou os problemas enfrentados. “A falta de celeridade nos projetos, nas coisas, a morosidade, a falta de giro no mercado, a falta de ação de Estado na velocidade de liberação de alvará de construção, de habite-se, de alvará de funcionamento, a falta de política pública em todos os aspectos, de transporte público, isso vem fazendo com que cada empresário esteja mais desmotivado a cada dia”, lamentou.

A CRISE JÁ FECHOU MAIS DE 2 MIL LOJAS NO DF.

A crise aumenta o número de demissões. Segundo dados do Sindivarejista, há pelo menos 212 mil desempregados no DF e as vendas no comércio caíram mais de 6% em sete meses. “Com isso, os segmentos e as grandes empresas estão voltadas a buscar outras oportunidades de negócio, como no Goiás, em Minas Gerais e na região de Entorno de Brasília. Temos um risco brutal de perder as grandes empresas por falta de política pública, falta de incentivo, de celeridade do governo”, criticou o presidente da ACDF.

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Pires dá o alerta e avisa que o sinal está “amarelo” entre o setor produtivo e o governo. “É um momento de grande ansiedade de todo o segmento. Já estamos fazendo um apelo ao poder Legislativo, talvez pela falta de oportunidade de sermos ouvidos pelo Executivo”, disse.

Apesar da mudança de gestão, Pires explica que o empresariado esperava alguma mudança no cenário, mas não é o que acontece. “A gente não vê as coisas acontecerem e já estamos no nono mês de governo. Em toda mudança de governo, esperamos algumas dificuldades, mas que venham a ser passageira. No nosso entendimento, deveríamos estar saindo de algumas dificuldades. Não falamos de grandes investimentos, mas um dos principais entraves que mais nos atrapalha é a falta da presença de Estado, a falta de celeridade. A insatisfação é geral.”

Pires reclama que os todos os órgãos públicos, sem exceção, não cumprem prazos estabelecidos. “Nada prometido é cumprido. Não podemos viver de esperança. Acho um risco muito grande a partir do momento que o setor produtivo passa a desacreditar nas ações do governo e vem buscar uma forma de administrar por intermédio do legislativo. Isso passa a ser um desencontro de poderes”, desabafou.

A consequência da omissão do governo, segundo o presidente da ACDF, já está sendo vivida. “O caos social, a falta de geração de emprego, a falta de recolhimento de tributo. O governo não arrecada, quando isso acontece, não aplica, não honra seus compromissos porque não tem recurso. É um efeito dominó, um risco social muito grande. O governo precisa se encontrar, ouvir a iniciativa privada. Não podemos admitir que não anda por falta de pessoas. É por causa de gestão”, completou.

Fonte:  Blog do Callado (Por Roberta Abreu, do portal Diário do Poder)