Secretaria de Saúde expõe servidores à radiação em ambientes de Raio X?

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Empresa recolhe cartões de monitoramento de nível de radiação. Secretaria nega, mas sindicato dos profissionais de radiologia confirma versão e acusa órgão de expor servidores à radiação.

Na segunda-feira (27/Jul), o blog Política Distrital recebeu denúncia de um servidor que prefere não ser identificado, em que afirma que a Sapra Landauer, empresa especializada em segurança radiológica e responsável pela manutenção de dosímetros individuais dos hospitais públicos do DF, retirou os cartões de dosimetria pessoal que monitora o nível de radiação ionizante dos servidores que trabalham nas unidades de Raio X nas unidades de saúde.

Quadro de armazenamento dos cartões de dosimétricos de radiação
Quadro de armazenamento dos cartões de dosimétricos de radiação

De acordo com o denunciante: “A radiologia está novamente sem monitoração. O dosímetro, equipamento essencial para se fazer acompanhamento das doses de radiação ionizante dos profissionais de radiologia, foram recolhidos por falta de pagamento. Não se pode trabalhar sem esse equipamento.”, afirmou ao observar “Estamos restringindo exames, para o nosso bem.”, concluiu.

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Política Distrital fez contato com a Secretaria de Saúde do DF que nega a informação e apresentou outra versão para a falta do equipamento: “A Secretaria de Saúde nega que os cartões de dosímetro tenham sido devolvidos por falta de pagamento à empresa fornecedora. A pasta esclarece que estes dispositivos servem para aferir o nível de radiação a que os servidores que trabalham no setor de radiologia das unidades de saúde foram expostos ao longo de um trimestre. De acordo com a área técnica, a cada três meses o cartão é trocado por um novo.”, afirma por meio da Assessoria de Comunicação (ASCOM).

Para que serve o cartão de dosimetria pessoal?

34De acordo com informações disponíveis no site da empresa Sapra: “A dosimetria pessoal é o processo de monitoração individual externa de dose absorvida durante a jornada de trabalho por indivíduos ocupacionalmente (SIC) expostos à radiação ionizante.”.

A empresa alerta ainda que o monitor individual é pessoal e intransferível e que deve ser utilizando apenas no local e durante a jornada de trabalho, pelo indivíduo cadastrado. “O monitor deve ser mantido longe de qualquer fonte de radiação quando não utilizado. Não deve ficar exposto nem ao sol e nem a umidade, devendo ser guardado junto ao monitor padrão.”.

A Empresa alerta ainda que jamais deve haver substituição, em caso de perda ou extravio, sem o conhecimento do responsável e que havendo a necessidade de substituição a Sapra deve ser comunicada. Isso porque o profissional e a unidade de saúde, são previamente cadastrados junto ao Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Exposição por um trimestre, mas a troca deveria ser mensal?

A SES justificou a troca do cartão de dosimetria porque os servidores foram expostos por um trimestre à radiação ionizante, no entanto, a própria Sapra, por meio do website, esclarece que a troca deve ser efetuada mensalmente: “A Sapra Landauer envia mensalmente nova remessa de monitores juntamente com o novo padrão e o relatório mensal de doses do período anterior, antes do final do período de uso, constantes da Relação de Monitores Enviados, para que o responsável efetue a troca no final do período de uso. Após a troca os monitores devem ser enviados juntamente com o monitor padrão e a Relação de Monitores Devolvidos, para que sejam efetuadas a leitura de doses, a emissão do Relatório de Doses Mensal e a atualização do cadastro de doses acumuladas.”. Será que a SES-DF está expondo os profissionais de saúde à radiação excessiva?

Sindicato dos Radiologistas se pronuncia

O blog conversou com o presidente do Sindicato dos Técnicos, Tecnólogos e Auxiliares em Radiologia do DF (SINTTAR-DF), Ubiratan Goncalves Ferreira, observou que os cartões de dosimetria pessoal é um Equipamento de Proteção Individual (EPI) de uso obrigatório de acordo com a Portaria nº 453 de 16 de Junho de 1998, do Ministério da Saúde, Secretaria da Vigilância Sanitária.

De acordo com Ferreira: “Este equipamento é obrigatório no monitoramento do profissional das técnicas radiológicas que operam com equipamentos de radiologia (Raios-x, tomografia, mamografia, densitometria, ressonância, radioterapia, medicina nuclear, hemodinâmica, centro cirúrgico-escopia e demais locais em um hospital que precise de Raios-X).”, afirmou.

Ferreira afirma contesta a versão da SES-DF e acusa o governo de colocar a vida dos servidores em risco: “Os técnicos em radiologia dos hospitais da Secretaria estão tendo suas vidas colocadas em risco pela segunda vez este ano. Uma vez que entram em ambiente controlado sem os monitores individuais obrigatórios (dosimetros), os quais tem o papel de monitorar as doses tomadas pelos profissionais em serviço. Pensando de forma prática, o técnicos atendem aos pacientes, mas colocam suas vidas em risco, e amanhã podem ser os pacientes.”, acusou.

O presidente do SINTTAR confirmou ainda a denúncia da fonte de Política Distrital: “É importante frisar que a empresa Sapra está sem receber seus serviços já a algum tempo, porém agora recolheu todos os dosímetros dos hospitais e agora os profissionais se encontram sem monitoramento.”, confirmou a retirada e fez um alerta: “Pior, se houver um vazamento de radiação, os profissionais estarão expostos e sem monitoramento.” Concluiu.

Anúncio de greve

O presidente do Sindicato informou ainda que está mobilizando a categoria e que podem deflagrar greve em qualquer momento: “Temos uma assembleia marcada para essa semana, com indicativo de greve.”, informou.

Sapra prefere não se manifestar

Política Distrital conversou com a gerente comercial da Sapra, sediada em São Paulo, porém, a executiva afirmou que a Empresa não tem interesse em se manifestar sobre os contratos da empresa.

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