Calcanhar de Aquiles, Rollemberg terá a difícil missão de escolher o novo secretário de Saúde nas próximas horas

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Por meio de nota oficial o governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), anunciou na noite desta quarta-feira (22/Jul),  a saída de secretário de Estado de Saúde (SES-DF), João Batista de Sousa, da gestão da pasta da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF). A saída de Sousa foi publicada com cogitada pelo blog Política Distrital na segunda-feira (20/Jul). O nome do novo secretário deverá ser anunciado amanhã (23/Jul) às 15 horas.

Em meio à crise financeira do DF, a Saúde se tornou passou a ter destaques na imprensa por uma série de problemas que vão desde a falta de pagamento de fornecedores; o desabastecimento de remédios, e insumos hospitalares;  o corte no fornecimento de refeições; até o agravante de mortes ocasionadas por ações de superbactérias, em especial da Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC).  Apenas este ano cerca de 8 pacientes, em geral idosos, morreram nas unidades de saúde do DF por suspeita de colonização com a KPC, embora, a SES-DF só tenha assumido um caso por ação do micro-organismo.

 A impossibilidade de nomeação de novos servidores também teve forte impacto na gestão de Sousa, uma vez que a SES-DF tem um déficit de cerca de 9 mil servidores, principalmente de especialistas em pediatria, ortopedia e anestesia, além de enfermeiros, técnicos e pessoal de apoio. Isso porque o GDF desde Janeiro permanece sob a limitação do índice prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Vale lembrar que o orçamento da saúde é de aproximadamente R$ 5 bilhões, e desse montante, aproximadamente 83% dos recursos estão comprometidos com custeio de pessoal.

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Com a crise generalizada, Sousa, foi alvo de críticas do meio político, em especial, do deputado distrital, Chico Vigilante (PT), de gestores e profissionais de saúde, sindicalistas e finalmente da opinião pública, em decorrência das constantes matérias veiculadas por blogs e pela imprensa.

O ápice da crise ocorreu após o vazamento de um áudio, noticiado com exclusividade pelo Política Distrital, de reunião com concursados de 17 categorias que aguardam nomeação (7/Jul). Na ocasião o ex-Secretário, mencionou que a KPC era apenas uma “farsa”, sugeriu que estava sendo explorada de forma política e sugeriu que hospitais, sobretudo da rede privada, também tinham casos de colonização por superbactérias, dados, supostamente apontados em relatório emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), informações essas negadas pelo Órgão e ainda pelos hospitais mencionados.

João Batista, o gladiador

Mesmo com todas as dificuldades, a frente da SES-DF, Sousa, se empenhou em reduzir o número de leitos de Unidades de Terapias Intensivas (UTIs), outro feito de Sousa é a redução dos casos de Dengue no DF anunciados nesta semana.

Mas na luta para tentar vencer o desespero e tentar mudar o modelo de gestão da Saúde, Sousa, optou por entregar o cargo após a realização da 9ª Conferência de Saúde do DF. Com o desgaste já manifestado nas últimas semanas, por comprometer o currículo, ao ser acionado pelo Conselho Regional de Medicina do DF (CRM-DF).

“Eu estou fazendo um exercício muito grande para saber até quando consigo levar essa situação. Pois como eu sou médico meu Conselho (Conselho Regional de Medicina) me pressiona. Eu tenho várias notificações do meu Conselho porque eu sei que eu tenho hoje, dia 6 de julho, de manhã, 69 leitos de UTI fechados, 86 doentes na fila para entrar na UTI, hoje. Dos doentes que estão na fila para entrar, 20% a 30% na morre na fila se não entrar. Isso vai colocando a minha biografia, vai colocando a minha trajetória em risco. Então a situação é muito grave. Muito grave”, afirmou.

Rollemberg agradece a dedicação

Ao entregar o cargo, Sousa considerou encerrada sua contribuição à frente da secretaria com a realização da 9ª Conferência de Saúde: “Cumpri uma etapa importante para o desenvolvimento da Saúde, que se encerrou com essa conferência. Sou muito grato ao governador pela confiança.”

Rollemberg por sua vez, lembrou que Sousa foi fundamental em um período de grande crise. “Agradeço profundamente ao dr. João Batista e sua equipe pelo que fizeram até aqui. Ele teve a capacidade e a coragem de assumir a Saúde com todas as dificuldades existentes. Sempre demonstrou espírito público e compromisso com a nossa cidade.”

Novo herói da resistência

Com a saída de Sousa, a noite de Governador será incumbida da difícil missão de escolher um bom nome para gerir o que é considerado o ‘calcanhar de Aquiles’ da gestão de Rollemberg. Entre os nomes, alguns conhecidos e outros novos ganham força nas discussões de especialistas e interessados na questão da saúde pública do DF. Entre eles estão:

feitosaex-diretor do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), diretor da Associação Médica de Brasília (AMBr), o médico pneumologista, Paulo Henrique Ramos Feitosa, responsável pela criação do Plano de Governo para a Saúde do DF. Considerado ‘linha dura’ Feitosa não é um nome consensual por parte de alguns colegas na SES-DF;


renatolima

também ex-diretor  do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), o cirurgião bariátrico, Renato Alves Teixeira Lima é outro nome de peso que conta com um sólido apoio de profissionais de saúde e de parlamentares na Câmara Legislativa do DF (CLDF);


tiagoo atual subsecretário de Gestão Participativa da SES-DF, o odontólogo, Tiago Araújo Coelho de Souza, é o coordenador geral da Conferência de Saúde do DF, compôs o grupo de trabalho da equipe de transição de Rollemberg ao governo e tem se projetado dentre os profissionais de saúde do DF;


guttembergpresidente do Sindicato dos Médicos do DF (SindMédico-DF), médico ginecologista e advogado, Marcos Gutemberg Fialho da Costa, foi um dos grandes críticos da gestão do governador Agnelo Queiroz, com relação às políticas públicas da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF). Disputou uma vaga a deputado distrital, com apenas 8853 votos e garantiu a segunda suplência pelo PSB-DF.


eliezeroftalmologista Eliezer Mota, atuou nos quadros da SES-DF, por 14 anos e surge pela primeira vez na possível lista de nomes indicados para assumir a pasta. Mota é ex-candidato à deputado distrital pelo PTdoB e defende as PPPs saneadas entre empresas de saúde locais para ajudar a desafogar as unidades hospitalares. O nome de Mota vem sendo cogitado em um grupo de gestores da saúde, em que Souza faz parte.


marcusex-coordenador regional de saúde de São Sebastião, odontólogo da Secretaria de Educação e médico da SES-DF, Marcus Costa, é ex-candidato a deputado distrital, emplacando uma suplência PPL e também aparece entre os nomes cogitados para assumir a pasta.

 

 

Quem será?

Após a escolha do segundo escalão em Janeiro, a escolha do novo nome para gerir a Saúde do DF, dado as circunstâncias, fará com que as próximas horas sejam de grande expectativa. O cenário permanecerá crítico e pode piorar caso Rollemberg não consiga aumentar a captação de recursos do GDF.

No entanto fatores a exemplo de conhecer bem o funcionamento da saúde pública do DF, as perspectivas de mudanças no modelo de gestão, aplicação das diretrizes estabelecidas na Conferência de Saúde do DF, e sobretudo, a capacidade de recuperar a normalidade do atendimento  da Saúde pública do DF, serão fatores norteadores da decisão final de Rollemberg.

Ao que tudo indica, o novo secretário de Saúde também será importado do Congresso Nacional. Isso é o que afirma fonte da alta cúpula do Buriti, que não deseja ser identificada. E o nome deve surpreender a todos. “Não conheço a pessoa, mas não é da carreira médica e vem do Senado. Acredito que Fábio.”

Que vença o bom senso por parte de Rollemberg e boa sorte ao novo secretário. Os usuários da saúde pública do DF agradecem.

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