Casa Civil do GDF: Sai Hélio Doyle, entra Sérgio Sampaio

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Sob argumento de defender o projeto de Rodrigo Rollemberg (PSB), Doyle deixa o Governo do Distrito Federal.

Em entrevista coletiva, na tarde desta quarta-feira (10/Jun), o chefe da Casa Civil, Hélio Doyle, anunciou na o pedido de demissão do cargo. Doyle deixa o governo em meio a estagnação da gestão Distrito Federal, com problemas graves na Saúde, Segurança e educação, além de uma crise instituída entre os poderes Executivo e Legislativo.

O jornalista justificou que se demitiu para que intrigas políticas não emperrem o andamento de projetos importantes para o desenvolvimento da cidade. Durante a Coletiva Doyle explicou: “Tenho sido acusado de muitas mentiras, e essas intrigas têm como objetivo prejudicar o sucesso desta gestão; como eu quero que o governo dê certo, me retiro para não ser empecilho da boa relação entre o governo e a área política da sociedade”, disse.

Reação às Críticas

Doyle afirmou ainda que críticas por parte de diversos setores da sociedade também motivaram a saída. “A proposta deste governo é instaurar a nova política e isso vai contra muitos interesses individuais; cada setor pensa em si e não nas necessidades da população que mais precisa”, destacou.

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Criticado por deputados da Câmara Legislativa e até por um senador, Doyle declarou: “Espero (com a demissão) que a relação entre o Executivo e a Câmara Legislativa se resfrie, pois me tornei alvo político; estou retirando o pretexto que alguns deputados e um senador usam para atacar as ações do governo”, afirmou.

Em Nota Oficial, Rollemberg lamentou a saída de Doyle e agradeceu a colaboração desde a campanha eleitoral, passando pela transição e pelo período no Governo. O governador aproveitou a ocasião para anunciar o nome do novo chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, atual diretor-geral da Câmara dos Deputados.

Repercussão

Política Distrital conversou com a presidente da Câmara Legislativa do DF (CLDF), Celina Leão sobre a mudança da condução da Casa Civil. Celina diz ter recebido a notícia com surpresa: “Fui pega de surpresa, eu sou contrária a forma de gestão, mas não pedi a saída dele. Se foi uma visão pessoal dele, deve saber o que está fazendo.”, afirmou Celina.

Em relação ao nome de Sérgio Sampaio, Celina diz não conhecê-lo, mas ponderou: “Ele vem de uma casa política e espero que ele tenha sensibilidade política para tratar bem de nossa cidade.”, concluiu.

O blog conversou também com o líder do bloco de oposição ao governo, na CLDF, o distrital, Chico Vigilante (PT), que considerou um erro por parte de Rollemberg pois Doyle além de ter passado por três governos, conhece bem o Distrito Federal.

De acordo com Vigilante: “O primeiro foi um erro de Rollemberg deixar satanizar o Doyle. O Hélio Doyle não é o satanás que foi pintado. Eu tenho divergências políticas com ele, mas é uma das pessoas mais sérias que eu já conheci e que conhece o Distrito Federal, porque ele esteve no governo do Cristovam, depois no do Roriz e agora no governo Rollemberg.”, afirmou.

Em relação ao nome de Sérgio para assumir a Casa Civil, Vigilante explicou que teve a oportunidade de conhecê-lo e que Sampaio deve encarar um cenário difícil.

Para Vigilante: “A Câmara Federal é outro mundo, tem recursos abundantes, não tem as questões que tem o Distrito Federal, não tem esgoto correndo na rua, não tem hospital cheio de bactérias, não tem ônibus fazendo greve, portanto acho que ele terá muitas dificuldades para chefiar a Casa Civil. A Casa Civil é o ponto efetivo de apoio, é o ponto de coordenação de um governo. Acho que ele vai ter muita dificuldade.”, afirmou.

Vigilante explicar ainda que Sampaio terá uma grande desvantagem em relação a Doyle: “O Hélio tinha coordenado a campanha, foi ele que participou da montagem direta desse governo, ele tinha muito mais ascendência sobre os secretários portanto vai demorar e muito a gestão do Governo do Distrito Federal, especialmente a do Rodrigo Rollemberg.” concluiu.

Precipitação?

Com a saída de Doyle, o imediato anúncio do novo chefe da Casa Civil quebra a regra de Rollemberg, que até o momento, ainda permanece com várias Administrações Regionais (RAs) com administradores interinos, mesmo após cerca de três meses que a CLDF disse não às fusões das RAs.

No meio político, muitos avaliam que o Governador, dessa vez, peca ao se precipitar em anunciar o novo chefe da Casa Civil e perdeu uma ótima oportunidade de conversar com os aliados políticos que o ajudaram a se eleger para definir  um nome que fosse convergente entre os apoiadores do Governo.

Após a divulgação da Saída de Doyle, alguns nomes chegaram a ser cogitados, ou melhor, especulados, par possíveis substitutos, entre eles o de Marcos Dantas, secretário de Relações Institucionais e Sociais, pela facilidade de articulação política, principalmente, com o Legislativo e ainda de Adelmir Araújo Santana, presidente do Sistema Fecomércio do Distrito Federal, pelo mesmo motivo.

Quem é o novo chefe da Casa Civil?

Servidor de carreira e atual diretor Geral da Câmara Federal, desde 2013, Sampaio é Advogado e foi  secretário de Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Amigo de Sampaio, o jornalista e cientista político, Francisco de Paula, também falou ao Blog:

“É um rapaz sério, preparado, honesto, do melhor currículo que se possa imaginar. Agrada e agrega a maioria dos servidores naquela casa (Câmara dos Deputados), faz uma gestão democrática, ouve todo mundo, recebe todo mundo. Espero que ele consiga se sair bem nesse novo cenário que é o GDF, que é a política do Distrito Federal, que para ele, entendo ser um ambiente novo.

Não sei se ele vai ter disposição para lidar diretamente com a Câmara Legislativa porque o trabalho dele na Câmara é administrativo, não é um trabalho político. Ele vai sair exatamente de uma seara diferente, de uma casa diferente, em num ambiente diferente. É uma série de desafios que o aguarda ainda mais de um governo que insiste em tentar começar e desejo que comece logo. Já deveria ter começado. São grandes os desafios do doutor Sampaio e espero que ele seja mais uma vez exitoso.”, afirmou.