Reajustes de impostos na contramão do crescimento econômico do DF

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Impactados com aumentos de impostos e de bens de consumo pelo governo federal, sobrecarga de reajustes pelo GDF pode jogar por terra a esperança depositada pela população em Rodrigo Rollemberg e fará com que ‘ o feitiço se vire contra o feiticeiro’.

Essa semana a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) deve votar o segundo lote do pacote de austeridade do governador, Rodrigo Rollemberg (PSB). Caberá aos deputados distritais endossarem o reajuste do Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU) em cerca de 80% nos próximos quatro anos em todo DF bem como a reformulação da base de cálculo da Taxa de Limpeza Pública (TLP).

As medidas têm como finalidade ajudar a recuperar o déficit da dívida pública do GDF, que supera os R$ 3,5 bilhões, deixados pelo ex-governador, Agnelo Queiroz (PT). Mas fazer com que a população pague pelos rombos deixados por Queiroz, pode sufocar ainda mais a população e reverter em impopularidade para Rollemberg.

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O alerta em relação aos possíveis efeitos das medidas previstas pelo chamado Pacto por Brasília estão estampados na mídia, redes sociais e nos meios políticos. Ignorá-la pode representar ao governador, dar um tiro no pé com uma bazuca.

Inadimplência continua a crescer

Um dos alertas é refletido por dados da Câmara de Diretores Lojistas do DF (CDL-DF). Dados publicados nesta segunda-feira (23) demonstram a alta na taxa de inadimplência do DF. De acordo com a CDL-DF,  o percentual de janeiro fechou com aumento de 2,72%, se comparado ao mesmo período do ano anterior. “Este é o quinto mês consecutivo de alta”, comenta o presidente da CDL-DF, Álvaro Silveira Júnior. Avaliando os meses anteriores, nota-se a evolução da inadimplência: dezembro (2,67%); novembro (2,12%); outubro (2,17%)  e setembro (1,68%).

Segundo o presidente da CLDF-DF, Álvaro Silveira Júnior: “Falávamos em uma inflação e agora vemos o reflexo dos aumentos desenfreados de preços, principalmente, em impostos. A economia está mesmo num período delicado e o contribuinte, como sempre, paga a conta. É óbvio que as contas atrasam e a inadimplência aumenta. É um ciclo que já temos alertado com frequência, mas, distante aos olhos do Governo. O consumidor está sofrendo para pagar contas. Isso é um fato que precisa ser considerado”, afirma Júnior.

Júnior lembra ainda que os atrasos de salários no DF tiveram impacto negativo na economia do DF e se mostra preocupado com as decisões do governo: “Nós que representamos o comércio, e, consequentemente, a população, pois eles compram e movimentam o Varejo, nos preocupamos com as decisões do Governo. Seria muito bom que as promessas de campanha de redução de impostos e respeito ao contribuintes fossem cumpridas”, lembra Álvaro Jr.

Impacto do Governo Federal

É importante lembrar que na esfera federal a presidente Dilma Rousseff (PT) tenta reequilibrar as contas públicas, após os abusos cometidos provenientes dos excessos de gastos públicos, principalmente em 2014, ano eleitoral. Com isso, reajustes de impostos, de energia, telefonia, água, combustível, transporte urbano, impactam diretamente em outros bens de consumo como alimentos, remédios e aluguéis. Sem contar os efeitos provenientes das práticas da corrupção. Um exemplo disso é o segundo reajuste da gasolina aplicado pelo governo federal em menos de um mês. Isso fez com que a população começasse o ano com menos dinheiro e sem perspectiva de aumento de receita, proporcional aos reajustes aplicados pelo governo.

Efeitos da austeridade 

Em consequência das medidas do governo federal, sem dinheiro e com mais dívida, a população do DF será duplamente afetada com a política de austeridade de Rollemberg. E pagar o preço pelos rombos das contas públicas da dupla petista, Dilma e Queiroz gera graves consequências.

Para Queiroz e ao PT, à frente de um governo no DF, permanecer em túmulo debaixo de sete chaves parece ser o caminho mais óbvio pois depois dos desastres de do ex-governador Cristovam e de Queiroz, é pouco provável que o PT consiga emplacar um novo governador no DF.

Com relação ao de Rousseff, pelo andar da carruagem, a plataforma do petróleo já começou a afundar o PT que precisará de um bom tempo para se reerguer enquanto partido político. É tudo questão de tempo.

No caso de Rollemberg, seria trágico, o ‘governador esperança’ do povo do DF perder a oportunidade de fazer uma ótima gestão por escolhas e reações que podem se mostrar equivocadas, em um momento futuro e tardio.

Soluções existem

O deputado distrital, Joe Valle (PDT), foi categórico ao sugerir que a equipe de governo não pode se utilizar da solução mais óbvia ou mais cômoda. Valle observou que buscar saídas alternativas e criativas para geração de renda são bons caminhos para aumentar a arrecadação sem colocar o ônus dos rombos de Agnelo, no bolso dos pais e mães de família do DF.

Outra solução foi apontada pelo O vice-presidente da Associação dos Moradores do Tororó e Adjacentes (Atua) Tone Duarte, em relação a regularização das regiões dos condomínios do Altiplano Leste, Jardim Botânico, São Bartolomeu e Tororó. De acordo com Duarte: “A regularização dos condomínios aumentaria a arrecadação do GDF pois é uma região que movimentam anualmente mais de R$ 100 milhões.”, afirma Duarte.

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