Rollemberg na ‘corda bamba’ por causa das administrações regionais

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Entre crise econômica, relacionamento com a Câmara Legislativa, nomeações do time de secretários e administradores Rollemberg segue próximo aos 30 dias de governo tentando agradar a gregos e troianos, o que pode comprometer o futuro político do governador.

Ao contrário dos governos anteriores a gestão de governador Rodrigo Rollemberg (PSB), começa em um buraco um pouco mais fundo que o dos antecessores.  E a principal proposta de Rollemberg foi à abertura de diálogo com a população e com o meio político da cidade.

Sob essa perspectiva, Rollemberg estabeleceu diálogo com os deputados distritais e garantiu a presidência da Câmara Legislativa do DF (CLDF) à principal aliada, Celina Leão (PDT).  Claro que diálogo em meio político, tem seu preço ou oposição. E as indicações para as administrações regionais, moeda de troca em qualquer governo, prevaleceu.

SECRETÁRIOS DE GOVERNO

Com algumas exceções, a nomeação do secretariado, time de primeiro escalão de Rollemberg, foi bem recebido pela opinião pública e pela população. Salvo um ou outro contratempo, a tecnocracia ‘uenebelística’ agradou. A priorização da capacidade técnica de gerenciamento da maioria das pastas e não da natureza política contribuiu para a aceitação. Resta saber se os titulares terão habilidade política e empreendedora de ajudar Rollemberg a tirar o DF do caos político e financeiro.

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NOMEAÇÃO DE ADMINISTRADORES REGIONAIS

A nomeação dos administradores das Administrações Regionais (RAs) por sua vez quase se tornou uma clássica novela mexicana recheada de ‘chili’. Diante da promessa da escolha do nome a partir da indicação da comunidade aguçou os ânimos de grupos políticos e civis organizados e a lista tríplice subiu a cabeça e deixou muitos empolgados.

Por outro lado os deputados distritais atuavam nos bastidores para garantir que as indicações de apadrinhados prevalecessem à lista tríplice e aos acordos estabelecidos na composição da coligação partidária ainda durante a campanha para governador.

Para acalmar os ânimos, Rollemberg chegou a nomear sete administradores interinos (5/Jan), que se responsabilizariam por áreas do DF.  Com isso, espaços ‘garantidos’ foram renegociados, tomados e cedidos, para atender a necessidade de se garantir a governança do DF.  E o clima esquentava nos bastidores das cidades ao se chegar ao décimo quinto dia de mandato sem as nomeações tão esperadas.

E em meio a críticas de parlamentares e a reação da mídia, quando já não se sabia se o calor ou a não nomeação dos administradores estava mais insuportável, veio a nomeação (20/Jan). Rollemberg reduziu de 31 para 25 as administrações regionais, por meio de fusões. Como dois e dois não comportam 55, manifestos de insatisfação no meio político e em algumas RAs foram imediatas e por motivos diferentes.

Mas depois de os administradores serem nomeados, muitos questionam se os critérios de residir na região administrativa, ser ficha-limpa e indicado pela comunidade, tenha de fato servido de parâmetro para a escolha de Rollemberg.

QUEM INDICOU

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Nunca antes na história do Distrito Federal a população questionou e menos ainda, se mobilizou para questionar nomes escolhidos para as RAs. Porém a promessa de campanha de Rollemberg, de fazer diferente e sobretudo de respeitar a vontade da população do DF fez com que grupos se organizassem e tomasse as redes sociais e as ruas para demonstrar a insatisfação com as nomeações de Rollemberg.

Confira como foi a reação em algumas administrações regionais:

CEILANDIA: FIM DA DIVISÃO POLÊMICA

A RA de Ceilândia foi alvo da maior polêmica com forte reação política e também da comunidade. Isso porque Rollemberg decidiu dividir a cidade em duas RAs, a RA Ceilândia, em que o vice-governador do DF, Renato Santana (PSD) acumula a função de administrador interino e a RA Ceilândia Norte, que seria assumida pelo feirante, Vilson de Oliveira, de indicação da deputada distrital, Luzia de Paula (PEN).

Porém além da manifestação da comunidade de Ceilândia e de organizações civis ao menos duas forças políticas se manifestaram contrárias a divisão. Uma por parte do senador, Hélio José (PSD) e a outra do deputado distrital, Chico Vigilante (PT).

Em meio a pressão e as manifestações agendadas em repúdio a divisão da administração de Ceilândia, Rollemberg anunciou a desistência de divisão da RA. Em nota o Governador menciona informa o recuo em relação a decisão e critica os entes políticos que questionaram a decisão.

“Ao propor a criação de mais uma administração regional na Ceilândia, o governo do Distrito Federal pensou em dar mais eficiência à gestão, tendo em vista a população de mais de 400 mil pessoas e a extensão do território, que inclui o Sol Nascente e o Por do Sol. A existência de duas administrações não significaria, obviamente, que seriam duas cidades, pois “cidade” e “administração regional” não são conceitos que necessariamente têm dependência um do outro. A Ceilândia continuaria sendo uma só cidade, com duas administrações regionais.
A crítica à proposta é legítima, mas é um equívoco lamentável atribuir a proposta a interesses políticos, num raciocínio típico dos que ainda se apegam aos velhos métodos de governar.
Considerando a reação de moradores e de entidades representativas à proposta, que foi feita pensando em melhorar a gestão na Ceilândia, o governo informa que manterá na cidade apenas uma administração regional. O governo sempre levará em conta a opinião da população, desde que manifestada de modo legítimo e no debate franco e aberto.”.

O recuo em relação à RA Ceilândia mostra fraqueza por parte de Rollemberg, que sequer deveria ter proposto tal divisão e abre precedentes perigosos para manifestação de outras comunidades, que já começaram a aparecer.

JARDIM BOTÂNICO

Esse é um caso clássico da repercussão de RA Ceilândia. Isso porque há poucas horas da nomeação dos administradores (20/Jan), o administrador do Lago Sul, Wandermilson de Jesus Garcêz Azevedo (PV). Wander Azevedo, como era conhecido  respondia interinamente pelas RAs do Lago Norte, Varjão e Park Way foi  ‘desconvidado’ a permanecer como administrador para dar lugar a Aldemir Paraguassu (Lago Sul e Jardim Botânico) e Marcos Woortman (Lago Norte e Varjão).

A revolta dos moradores do Jardim Botânico não tardou e a comunidade promete fazer carreata no dia 28 de Janeiro, contra a fusão com o Lago Sul e por não ter ocorrido diálogo do Governador com a comunidade do Jardim Botânico, além de nomear um administrador que discrimina, desrespeita e não tem qualquer identificação com a causa dos moradores do Jardim Botânico e adjacência, conforme publicação do blog Radar Condomínios.

FERCAL

A comunidade da Fercal foi uma das que reagiram as nomeações. Nesse caso em específico, não por serem contra o administrador escolhido. Mas perder a autonomia administrativa, mesmo sendo um polo arrecadador importante para o DF. A quase ex-RA é muito rica em recursos minerais, a exemplo do calcário. Com isso concentra empresas produtoras de cimento e asfalto, o que faz da Fercal a segunda maior geradora de impostos no DF, além de contribuir para o abastecimento de produtos agrícolas nas feiras da própria Região, Sobradinho I, Sobradinho II, Grande Colorado e CEASA.  Rollemberg na reestruuração funde a RA Fercal com a RA Sobradinho II, que ficará sob a administração de Estevão dos Reis, indicado por Leão.

CANDANGOLANDIA, NÚCLEO BANDEIRANET E PARK WAY

217_Outra fusão mexeu com a cabeça das comunidades de Park Way, Núcleo Bandeirante e Candangolândia. Ao nomear o ex-candidato a distrital e bombeiro militar, Roseveelt Vilela (PSB), a reação foi instantânea. Isso porque Vilela, que concorreu a uma vaga na CLDF, levou a primeira suplência pelo partido de Rollemberg, com 8.957 votos. Porém não obteve mais que 450 votos, se somados as três RAs. Tampouco o nome de Vilela figurou entre as indicações ao Governador.

Vilela sofre ainda ataques por outros três motivos: a declaração dada ao blog da Cris, em que é atribuído ao suplente a declaração relativo à CLDF: “Casa que não resolve muito os problemas da categoria do Corpo de Bombeiros do DF.”. A insatisfação, mais que justa, é porque os votos confiados a Vilela vêm essencialmente dos militares que confiaram ao Suplente o papel de defender os interesses da categoria na Câmara Distrital; Vilela em uma conversa em um restaurante em Núcleo Bandeirante, também declarou não ter interesse na administração de Candangolândia. Segundo o administrador nomeado, as cidades não tinham autonomia financeira, não projetaria o nome dele (Vilela) para 2018 e seria apenas “dor de cabeça” assumir uma administração, sobretudo “nos primeiros meses de governo, com o déficit deixado por Agnelo”. E há ainda outro caso relevante. Durante a campanha Vilela teria deixado de manifestar apoio a mais de 300 bombeiros que após a posse de Rollemberg, estão prestes a serem expulsos da corporação. Os colegas de praça argumentam que Vilela sequer atende aos telefonemas.

SAMAMBAIA

A RA Samambaia foi outra a causar polêmica. Primeiro por causa da polêmica do proprietário da empresa Luart Calçados, Claudeci Miranda, residir de fato na cidade. A assessoria do administrador, afirma que Miranda reside “há pelo menos doze anos em Samambaia”. Segundo, por não ter representatividade em relação à população do DF.

No entanto, blogs e denúncias apontam que na verdade, Miranda, indicado pelo distrital Júlio Cesar (PRB), adquiriu uma bela mansão no Setor de Mansões de Samambaia (SMS) e a mudança está prestes a ser descarregada no novo endereço.

E a lista tríplice que apresentou ao menos seis nomes sugeridos para o governador, entre eles o nome do ex-candidato pelo PSD, Jorge Vianna, que era o provável Administrador da cidade. Isso porque a regional, deveria ser destinada ao Partido que fez parte da coligação que elegeu Rollemberg.

ESTRUTURAL

Os moradores da RA Estrutural que também estão insatisfeitos e se organizam em manifesto contra a indicação de Evanildo Santos, que consideram “um tapa buracos sem autonomia e sem aval da comunidade”, e prometem “quebrar o pau” na próxima segunda-feira (26/Jan), às seis da manhã.