Possível ‘importação’ de gestores para Saúde do DF incomoda servidores

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Mudança de modelo de gestão também é ‘colocado à mesa’, questionado e ‘saboreado’ com reservas

Por Kleber Karpov

Após se comprometer ouvir as vozes dos servidores, sindicatos e entidades sindicais e ligadas à saúde, durante período eleitoral, a demora na nomeação de secretário de Estado de Saúde do DF (SES-DF) tem incomodado os profissionais de Saúde. Se soma a isso, a sugestão, por parte do governador eleito, Ibaneis Rocha (MDB), que a Pasta possa receber gestor ‘importado’ de São Paulo ou de relações ‘questionáveis’.

O termômetro pode ser sentido, por diversos grupos de servidores e ligados à Saúde Pública do DF, do aplicativo Whatsapp. Em alguns, se questiona a possibilidade de Ibaneis ignorar lista tríplice, definida no início da semana passada, ou ainda, nomear um secretário para ser mera ‘Rainha Inglaterra’. Isso, em alusão a possibilidade de esse gestor, embora indicado pela Saúde, fique sem plena autonomia na gestão da pasta.

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Sob pedido de sigilo, uma servidora conversou com Política Distrital (PD) e questionou as intenções de Ibaneis, em relação a Saúde do DF. “É inadmissível a postura do governador eleito justificando trazer técnicos de SP e outros locais para vir gerir a SES, mesmo que seja no 2° escalão.  Se isso acontecer, teremos sido vítimas de novo estelionato eleitoral, pois, durante a campanha, ele [Ibaneis] disse que os servidores de carreira que conhecem a saúde seriam maioria nos cargos comissionados. E agora, falando em trazer solução externa, preterindo quem carrega o piano, a gente desconfia que só mudou o tronco e a chibata, mas, o lombo continua sendo o nosso!”.

A referência da servidora ocorre em torno de especulação sobre o nome do médico Wilson Pollara, que comandou, por um ano e meio, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMS-SP), do então prefeito, atual governador eleito de SP, João Dória (PSDB). Tal suspeita ganhou força, em decorrência do encontro de Ibaneis, em viagem à capital paulista, com Dória e o também eleito governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel(PSC).

‘Rainha da Inglaterra’

Tal afirmação foi recebida como a possibilidade de Ibaneis nomear um secretário da Saúde indicado pelos servidores, para satisfazer os servidores, porém, trazer Pollara e equipe, que seriam nomeados, o primeiro na condição de adjunto, e os demais subalternos, o que deixaria o gestor da SES-DF, sem autonomia.

“Se isso acontecer, o secretário será uma mera ‘Rainha da Inglaterra’, sem autonomia para gerir a Saúde. Nesse caso esse secretário dessa lista tríplice pode vir a ser apenas um Cavalo de Tróia para os servidores. Vão nomear um secretário qualquer e quem vai mandar será o adjunto.”, ponderou a servidora.

Fantasma das OSS

Outra discussão que também chama atenção é a possibilidade de Ibaneis, retornar a discussão das Organizações Sociais (OSS). Mas dessa vez, em Policlínicas do DF. Outro ‘fantasma’ que volta a assombrar e trazer questionamentos sobre as promessas de Ibaneis. Sobretudo, após entrevista ao Metrópoles (13/Nov), ao ser questionado sobre a Secretaria de Saúde, Ibaneis afirmou ter conversado com a classe médica. Além de apontar que “a partir também do ministério, vamos discutir algumas pessoas que conheçam realmente de saúde no Brasil, para que a gente possa implementar um novo modelo”, concluiu o emedebista.

O caso ganhou projeção, pois é de conhecimento de vários servidores, a participação do ex-diretor-executivo do Fundo Nacional de Saúde, Sady Carnot Falcão Filho, em reunião recente de Ibaneis com os ‘conselheiros’ ligados à Saúde.

O nome do ex-gestor, por diversas ocasiões figurou em ambientes, a exemplo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara Legislativa do DF (CLDF), de questionamentos do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e Tribunal de Contas do DF (TCDF), no atual governo.

Principalmente, por ser nomeado como um de sete membros para compor um grupo de trabalho para decidir os rumos da Saúde Púbica do DF, como se fosse servidor da SES_DF. Além da proximidade com a atual primeira dama  e de indicar o ex-gestor do Fundo de Saúde do DF (FSDF), Ricardo Cardoso, investigado pela CPI da Saúde e, posteriormente, na operação Drácon.

Sobre o assunto, ao PD, o deputado distrital eleito e, vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (SINDATE-DF), Jorge Vianna (PODEMOS), explicou que não vê problemas em se discutir um modelo de gestão,“desde que esse modelo contemple a contratação e nomeação de servidores públicos.”.

O que dizem

Porém, o sindicalista observa “O que nós, a população do DF, os servidores não queremos mais são as OSS, pois nós temos vários exemplos, não só no DF, mas em todo o país. O que nós não queremos, uma OSs, um Instituto, e nós tivemos casos recentes do ICDF [Instituto de Cardiologia do DF], que vem, se instala na nossa cidade, faz atendimento com as portas fechadas, como acontece com o Hospital da Criança e com a Rede Sarah enquanto a população que precisa, está morrendo nas filas dos hospitais. Essas soluções, já foram barradas e rejeitadas por toda população do DF.”

Fonte de PD, ligada ao futuro primeiro escalão do GDF, afirma que Filho, não deve ter influência sob a gestão da Saúde do DF.

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