Artigo: Governo e esperanças renovados

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Por Gutemberg Fialho

E m outubro de 2014, o governador eleito Rodrigo Rollemberg anunciou que teria de administrar um rombo de R$ 2,1 bilhões no orçamento. Esse foi o prelúdio de um governo que chega ao epílogo, segundo o governador eleito Ibaneis Rocha, deixando um déficit de R$ 2,4 bilhões.

No dia seguinte à sua eleição, Rollemberg falou com a então presidente reeleita Dilma Rousseff para troca de cortesias. Em seguida anunciou que ia tirar uma folga. Na semana em que ocupou seu gabinete-trincheira no Palácio do Buriti, entregou a conta do rombo aos servidores públicos – foi o início do arrocho e da derrocada.

Ibaneis, no dia seguinte ao anúncio do resultado das eleições subiu e desceu o Eixo Monumental com o pires na mão: pediu dinheiro ao presidente da República, Michel Temer, e pediu ajustes no orçamento ao presidente da Câmara Legislativa do DF, Joe Valle. Também tirou uns dias para se refazer da campanha, mas antes pediu investimentos a ministros e emendas à Lei Orçamentária Anual e 2019.

No início de 2016, a equipe do governador apresentou um relatório anunciando fim da “fase do caos”. Naquele mesmo ano, por falta de medicamentos, exames, materiais, equipamentos e profissionais, a mortalidade nos hospitais do DF bateu o recorde histórico.

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Como seus antecessores, Ibaneis afirmou que a Saúde é prioridade. Diferente deles, não se apressou em dizer que ia pessoalmente tomar conta da pasta nem em indicar o nome de quem será o titular. Procura alguém que possa engajar os servidores (hostilizados pelos atuais gestores) na recuperação do sistema público de Saúde e que possa articular a iniciativa privada para suprir as necessidades da demanda reprimida do SUS.

As lideranças dos médicos e de outras categorias de servidores da Saúde alertaram os gestores para o fato de que, além de implantar projetos que se fossem bem-sucedidos teriam resultados em médio ou longo prazo, era necessário dar solução às questões emergenciais e pontuais para salvar vidas e evitar sofrimento. Rollemberg não ouviu, não entendeu ou não quis escutar. Ibaneis nem assumiu e já sinalizou ter entendido a mensagem.

Os servidores públicos participaram da eleição de Rollemberg com esperança de uma boa gestão e, desiludidos e desprezados, trabalharam para tirá-lo do governo. O novo governador eleito chama as lideranças das diversas categorias profissionais e de outros seguimentos da sociedade civil organizada para conversar e orientar escolhas.

Desde que se abriu a possibilidade legal de reeleição para ocupantes de cargos no Executivo em mandato subsequente, não houve um governador de quem a população pedisse bis. Agora existe a perspectiva de uma reforma política que pode impedir essa perpetuação no poder – se passar essa lei, que seja ela o motivo para que o novo governador eleito não permaneça no cargo e não uma nova desilusão para a população do DF.

Ninguém mais tem carta branca quando assume um governo no Brasil, mas isso não impede de empenharmos nossa boa vontade e esperança por uma boa gestão – depois de mais de uma década de frustrações o brasiliense precisa que o próximo governo seja bem-sucedido.

Gutemberg Fialho é presidente do Sindicato dos Médicos do DF

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