Saúde: Rollemberg vende sonhos, mas entrega pesadelos

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Em pré-campanha eleitoral, chefe do Executivo parece ignorar contato da população com realidade da Saúde do DF

Por Kleber Karpov

Nas últimas semanas, um vídeo circulou grupos, do aplicativo Whatsapp, que chamou atenção pelo contraste entre sonho apresentado pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB) via “Governo de Brasília” sugere mudanças na Saúde do DF. Porém, a realidade apresentada por Rollemberg esconde um abismo profundo com o pesadelo entregue pelo governador o DF.

No sonho, patrocinado por meio de um vídeo, o “Governo de Brasilia” apresenta o Cartão + Saúde em que, por exemplo, aponta marcações de consultas por telefone ou totens de autoatendimento. A publicidade sugere realizações de exames, consultas especializadas, e internações garantidas por uma central de regulação, sem filas e sem demoras; E não para por aí, Rollemberg também promete o Remédio na Porta o que afirma ser “um dos maiores programas de entrega de medicamentos em domicílio do país”.

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Mas…

Sonhos à parte, o vídeo, no entanto, deixa de informar de que forma pretende realizar tantos milagres com a criação do Cartão + Saúde. Isso, a jugar que o governo passou os quatro anos com aumento considerável do índice de mortes evitáveis nas unidades de saúde do DF. Mais ainda, com constantes registros de óbitos de recém-nascidos, idosos e crianças, por descumprir decisões judiciais, que garantiam o atendimento, ainda que acontecessem na rede privada.

O “Governo de Brasília, deixou de explicar, também, no vídeo, como pretende garantir os atendimentos sem fila e sem demora, a julgar que as filas de regulações de consultas continuam ‘abarrotadas’ em decorrência da falta de leitos, tanto de Unidades de Terapia Intensivas (UTIs), quanto de leitos normais. Vale lembrar que em muitas ocasiões, mesmo após alta, pacientes permanecem internados das UTIs, por falta de leitos normais nas enfermarias.

Também chama atenção a promessa de entrega de medicamentos nas residências das pessoas, quando nos hospitais, Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs) e também nas farmácias de alto custo, a falta de medicamentos continuam a ser regras.

Realidade

Para ilustrar o caso, na última semana, Política Distrital (PD), recebeu denúncia da falta de insumos, medicamentos e equipamentos na emergência do Hospital Regional de Samambaia (HRSAM).

Com pedido de sigilo de identidade, uma servidora relatou a falta de seringas de 20ml; de fraldas, em geral compradas por acompanhantes de pacientes internados; de aparelho de pressão e oxímetros, monitores; além de medicamentos a exemplo de Ranitidina utilizado no tratamento de úlceras e esofagite, de Buscopam, medicamento para dor, ou ainda de Ondansetrona para controle de náuseas e vómitos provocados por quimioterapia e radioterapia, assim como em pós-operatórios.

Reações

Para o vice-presidente, licenciado, do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (SINDATE-DF), Jorge Vianna (Podemos), pré-candidato à Câmara Legislativa do DF (CLDF), o governador do DF e o secretário de Estado de Saúde do DF (SES-DF), Humberto Lucena Pereira da Fonseca, continuam a ‘vender’ um “fantástico mundo dos sonhos”.

“Como sempre denunciamos, nesse governo temos um governador e um secretário que vivem a vender um fantástico mundo dos sonhos de Rollemberg e de Humberto Fonseca, quando nas unidades de saúde, os servidores, principalmente os profisisonais de enfermagem que estão lá na ponta, e também os pacientes convivem com uma realidade de caos completo.”.

Na mesma linha, Gutemberg Fialho, também licenciado da presidência do Sindicato dos Médicos do DF (SINDMÉDICO-DF), por disputar vaga para deputado distrital, lembra que Rollemberg começa a tentar iludir “novamente” a população”, na campanha para tentar a reeleição.

“O senhor governador Rodrigo Rollemberg, entra na campanha para a reeleição, novamente tentando iludir a população com promessas vazias e sem nenhuma base para que possam ser de fato implantadas. As mortes evitáveis continuam a acontecer, por falta de planejamento e de gestão, não houve aumento no número de leitos de UTIs e leitos normais, a falta de medicamentos, de insumos de equipamentos continuam. Os fornecedores continuam sem receber. Nessa semana o Instituto do Coração ameaçou parar os serviços por falta de pagamento. Então, dessa vez, a população tem consciência que são promessas meramente eleitoreiras e vai dar resposta a esse cidadão, nas urnas.”, disparou.

O que diz a SES

Questionada sobre a falta de medicamentos, insumos e equipamentos no HRSM, a Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), informou ter estoque de Escopolamina (Buscopam) e Ranitidin, mas admitiu a falta de Ondansetrona, “o estoque deve ser regularizado nos próximos dias”.

A pasta também confirmou a falta de fraldas tamanhos G e EG, ao afirmar que a reposição depende de negociação com empresa vencedora de processo de licitação recente. “O processo de compra de fraldas nos tamanhos G e XG foi finalizado na semana passada e a empresa tem o prazo de 30 dias para entrega. A Secretaria está em negociação com a nova empresa vencedora da licitação para que as fraldas possam ser entregues antes dos 30 dias.”

Ainda de acordo com a SES-DF “o estoque de seringas de 20ml está regularizado na Farmácia Central e que os aparelhos de aferir pressão e oxímetros possuem processo de aquisição em andamento.”.

Erramos:
A menção por PD sobre o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), na verdade, se trata do Hospital Regional de Samambaia (HRSAM). Nesse contexto, Política Distrital esclarece que a apuração realizada junto à SES-DF foi direcionada ao HRSM, equivocadamente, consequentemente a resposta da Secretaria relata a realidade do Hospital de Santa Maria e não o de Samambaia, o que também, apenas reforça a falta de insumos, medicamentos e equipamentos também no HRSM.

Atualização: 4/8/18 às 14h23

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