Abandonada, comunidade Café sem Troco, da área Rural do Paranoá não consegue registrar crimes

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Localizada a 43 quilômetros do centro do Paranoá, a comunidade Café Sem Troco tem sofrido com a criminalidade que se instaurou em Brasília. Sem ter mais a quem recorrer, o presidente da Associação de Moradores e Produtores do Café Sem Troco, Lenilton Freire, conhecido por Léo Freire, procurou o Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) para denunciar a situação e pedir ajuda.

Segundo ele, os casos de roubos e furtos na comunidade, que têm cerca de 15 mil habitantes, estão cada vez mais frequentes. “Nas últimas semanas, houve um dia em que cinco casas foram arrombadas. Na semana passada, entre seis da manhã e meio-dia, soubemos de três casos”, disse o líder comunitário.

Em um caso mais recente, uma moradora saiu para a feira por volta das 10h da manhã do último domingo, 29 de julho, e quando voltou a casa tinha sido arrombada e roubada. “Dois meses atrás fizemos um evento fora da associação e, quando voltamos, duas horas depois, o prédio também tinha sido roubado”, acrescenta.

Léo diz que já cobrou medidas da Secretaria da Segurança Pública e Paz Social por diversas vezes, ao três últimos secretários. A solicitação não foi atendida porque, segundo ele, o órgão informou que a comunidade não tem uma mancha criminal que justifique uma ação mais efetiva.

Registro

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O problema, denuncia o líder comunitário, reside em dois aspectos. O primeiro deles, no registro da ocorrência: a delegacia mais próxima fica no Paranoá, distante 43 quilômetros do Café Pequeno. Os crimes de arrombamentos não podem ser registrados na Delegacia Eletrônica da Polícia Civil do DF (PCDF), pois é caso para perícia.

Com a alta defasagem que a PCDF enfrenta – 50% dos cargos estão vagos -, conforme o Sinpol-DF tem denunciado, constantemente, nos últimos anos, a demora é inevitável. “Muitos dos moradores desistem de ir atrás porque haverá, certamente, uma demora. E eles ainda têm em mente que se não tiver como ir atrás do criminoso na hora, não há o que fazer depois”, explica Léo.

Ele mesmo diz que se dispõe a levar as pessoas na delegacia, ou registrar a ocorrência online. Mas, para piorar, as áreas rurais não aparecem nas localidades listadas Delegacia Eletrônica – esta é a segunda parte do problema. “Só aparecem as cidades. Assim, ficamos totalmente à mercê da criminalidade”, completa.

“Os crimes de arrombamento a comércio e residências aumentaram muito. Mas sem poder registrá-las, fica difícil criar a mancha da criminalidade que se formaria com as denúncias. É preciso facilitar o registro de ocorrência”, reivindica o líder comunitário.

Para Léo, uma ação mais efetiva na comunidade é urgente. “O policiamento ostensivo é restrito. Precisamos de uma ação conjunta da Polícia Civil e da PMDF, principalmente da PCDF, que investiga os casos”, reivindica.

O não registro de ocorrências, fato conhecido como subnotificação já vem sendo denunciado pelo Sinpol/DF há alguns anos. O fechamento de 19 delegacias no Distrito Federal, promovido pelo Governo Rodrigo Rollemberg fez com que o problema se acentuasse. A população têm deixado de registrar os crimes dos quais são vítimas por uma série de fatores: delegacias fechadas, não resolução dos crimes, demora nas investigações, distância das unidades policiais, sistemas de informação inadequados, etc.

De uma forma, o Governo do Distrito Federal, por meio da Secretaria de Segurança tem se noticiado uma redução nos índices de criminalidade. Isso se dá em razão da subnotificação.

“Essa falsa ideia de redução, propagada pelo Governo, tem permitido que mais recursos sejam retirados da área de segurança. Desta forma, o sucateamento da segurança pública, favorece o governo que não vê esse segmento como uma prioridade”, afirma Rodrigo Franco, presidente do Sinpol.

Fonte: Ascom Sinpol-DF

 

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