Artigo: Denúncias de censura e autoritarismo são rotinas de Rollemberg

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Por Carlos Fernando

A retirada do painel eletrônico do Portal Metrópoles motivou acusações ao governo Rollemberg pela prática de censura. Com variações, dicionários da Língua Portuguesa definem censura como o “exame de trabalhos artísticos ou de material de caráter informativo, a fim de filtrar e proibir o que é inconveniente, do ponto de vista ideológico ou moral” – esta é do Michaelis. O exercício da autoridade é inerente ao ato da censura – para o bem ou para o mal.

Uma acusação dessa natureza deveria causar espanto, mas esta só coroa uma sequência de queixas contra o atual governo, desde 2015, por censura, abuso de autoridade, arbitrariedades, perseguições, ameaças e assédio moral.

Em 19 de fevereiro de 2016, o Correio Braziliense registrou que “em atitude autoritária, a Secretaria de Saúde se recusou a responder a pedidos de esclarecimentos feitos pelo Correio. O secretário Humberto Fonseca também determinou à assessoria de imprensa da pasta que não repasse informação ao repórter Otávio Augusto” (https://bit.ly/2sH5DZb). Em 04 de junho deste ano, a Associação de Blogueiros de Política do DF e Entorno repudiou a censura, por meio de ação judicial, a uma matéria do blog Política Distrital sobre morte de um bebê por omissão do Poder Público.

Em fevereiro deste ano, o partido do governador tentou impedir a veiculação da campanha “E agora, Rodrigo?”, do Sindicato dos Professores do DF. Em maio, foi a vez do arquiteto Carlos Magalhães da Silveira (um homem de 83 anos!) protestar por ter sido ameaçado de processo judicial pelo escritório de advocacia da filha do governador Rollemberg, por ter postado críticas ao governo local em seu perfil no Facebook.

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Nas secretarias de Estado de Saúde de Educação e da Criança e do Adolescente portarias proibiram servidores de veicular informação contendo denúncias e críticas a esses órgãos. Em 2015, o governador chegou a classificar o fato como “equívoco” – mas seu governo continua equivocado desde então.

As denúncias de perseguição e assédio moral no ambiente de trabalho por parte do governo Rollemberg já foram objeto de Comissão Geral na Câmara Legislativa, no dia 17 de agosto de 2017. Dirigentes sindicais de diversas categorias profissionais relatam as mesmas práticas abusivas por parte de prepostos do governador – o autoritarismo e a arbitrariedade imperam desde o gabinete número um do Palácio do Buriti até as chefias diretas e motivam uma demanda nunca vista pelas assessorias jurídicas dos sindicatos.

Entre outros tantos problemas, o governo Rollemberg demonstra falta de habilidade para lidar com gente: rejeita conceitos como o direito à liberdade de opinião e expressão, à justa remuneração pelo trabalho e à busca das condições ideais de exercício da atividade profissional e da cidadania. O atual governo é uma página mal escrita da história que, apesar disso, deve ser lida com atenção, sem censura, e lembrada como exemplo de coisas a se serem evitadas no futuro.

Carlos Fernando é médico e presidente interino do Sindicato dos Médicos do DF

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