Após se perfurar acidentalmente com agulha usada, técnica em enfermagem é submetida a coquetel anti-HIV

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Secretaria de saúde faz ‘cara de paisagem’ e sindicato promete reforçar denúncia sobre acidentes

Por Kleber Karpov

Na noite de terça-feira (15/Mai), uma servidora do Hospital Regional de Samambaia (HRSAM) sofreu acidente em que teve uma perfuração com agulha utilizada por outro paciente. Com isso, a profissional de saúde foi obrigada a pegar atestado médico, além de tomar coquetel anti-HIV. A denúncia foi realizada, sob sigilo de identidade, por uma colega de trabalho que, ao tomar conhecimento por meio do aplicativo Whatsapp procurou Política Distrital (PD) para denunciar o que chamou de “descaso total do governo.”.

De acordo com a amiga, a servidora do HRSAM, quando ocorreu o acidente estava escalada, sozinha, para cuidar de 20 pacientes internados. “Ela estava escalada sozinha na ala amarela. Sozinha pra cuidar de 20 pacientes pois a outra servidora estava de licença médica, isso para também os pacientes que chegassem passando mal. Na correria ela teve um acidente de trabalho pois se perfurou acidentalmente com uma agulha que tinha sido utilizada em um paciente.”, disse.

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Ainda de acordo com a profissional de Saúde, com o acidente a colega teve que ser afastada e recebeu um coquetel de comprimidos anti-HIV, para prevenir a doença. “Agora ela tá de atestado e tendo que tomar coquetel profilático pra não ter o risco de contrair um possível HIV. Imagina a pessoa está dando de tudo para conseguir atender os hospitais superlotados, pois faltam profissionais e acaba correndo risco de contrair uma doença grave. Essa falta de técnico em enfermagem acaba aumentando o risco da gente se acidentar como aconteceu com a colega, tem que ser feito alguma coisa, antes que a gente acabe morrendo.”, disse.

Na manhã desta quinta-feira (18/Mai), PD recebeu novas informações sobre o caso e teve acesso às denúncias apresentadas ao Conselho Regional de Enfermagem do DF (COREN-DF) e à Ouvidoria do DF, porém, até o momento, sem nenhuma medida concreta por parte das Instituições.

Descaso e omissão

Para o vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (SINDATE-DF), Jorge Vianna, a Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), embora realize nomeações de profissionais da categoria, “ainda há déficit de técnicos em enfermagem e de outros profissionais na rede.”. Para Vianna aponta ainda outro problema, a má gestão dos recursos humanos e, desculpas sem fundamentos para evitar contratações. “Da forma que a secretaria a conta não fecha. A Secretaria nomeia, mas timidamente e não consegue fechar as escalas nas unidades de Saúde. O secretário de Saúde sabe que boa parte das nomeações não cobre o déficit proveniente das vacâncias, que são os servidores que se aposentam, morrem ou que por algum motivo deixam o funcionalismo público.”.

Ainda para Vianna, o discurso de Rollemberg em relação a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é uma ‘farsa’. “O senhor governador do DF Rodrigo Rollemberg, passou toda gestão falando em Lei de Responsabilidade Fiscal, mas nós sabemos, tem decisão do Tribunal de Contas que deixa claro que a LRF não impede o governo de nomear para repor as vagas em vacâncias. E nós temos centenas de vagas em vacância para técnicos em enfermagem, administrativo, radiologia, laboratório, enfermeiros, médicos, enfim, o governo sucateia a rede para justificar os IHBDFs da vida.”, disse ao fazer referencia a conversão do Hospital de Base do DF (HBDF) em Serviço Social Autônomo, sob o nome de Instituto HBDF. “O caso dessa técnica em Enfermagem é mais um que se somam as denúncias que temos feito do risco de nossos servidores contraírem doenças por acidentes de trabalho e, vamos continuar a denunciar e cobrar as nomeações dos servidores.”, concluiu.

A outra parte

Questionada sobre o assunto a Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) informou que recebeu notificação sobre o caso. “A direção do Hospital Regional de Samambaia informa que o acidente com a técnica já foi notificado. No momento do acidente havia três técnicos de enfermagem e três enfermeiros no plantão e 18 pacientes internados.”.

A pasta não fez nenhuma referência, sobre o risco de a servidora contrair alguma doença.

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