Confusão não falta, mas nada funciona como deveria no GDF

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Por Gutemberg Fialho

O atual líder do governo Rollemberg na Câmara Legislativa é de um partido de oposição e o primeiro deputado distrital a ocupar a função, hoje, não quer ver Rollemberg nem pintado de ouro. Fosse um fato isolado causaria mais estranheza, mas esse governo é um atoleiro de contradições, desavenças, antagonismos e traições – lembra as intrigas do reino de Avilan, da antiga novela Que Rei Sou Eu?

A desavença envolvendo o vice-governador Renato Santana tem nuances próprias, mas não é um caso isolado. Desde o dia em que pôs os pés no Palácio do Buriti, Rollemberg vem rompendo alianças, acordos e amizades. Quem era aliado no início do governo, hoje é crítico, opositor ou inimigo. Sem contar os que aproveitaram os benefícios de estar perto do poder e agora se afastam para não “se contaminar” na disputa eleitoral.

A lista de rupturas eu mesmo inaugurei no dia 7 de janeiro de 2015 e junto comigo veio o conjunto dos servidores públicos perseguidos e injuriados pelo governador. Seis meses se passaram e o mentor da campanha que levou Rollemberg ao Buriti, o jornalista Hélio Doyle, deixou o governo e virou um crítico frequente.

Não demorou para qualquer intenção de diplomacia sair pela porta do Buriti, com a exoneração de Rômulo Neves, ex-chefe de gabinete do governador. Na pasta da Saúde também pediram as contas, na sequência, João Batista de Sousa e Fábio Gondim – outro que não deixa de fazer críticas à atual gestão.

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Descartados os parlamentares que se atreveram a não concordar com desmandos, novas alianças surgiram na base do toma lá, dá cá. Em período de votações importantes para o governo houve festival de nomeações de apadrinhados de um e outro deputado.

Antigamente, ditadores expunham as cabeças dos desafetos em praça pública para servir de exemplo aos insurgentes. Hoje, no DF, o Diário Oficial é que se presta à humilhação dos que caíram em desgraça, como os oficiais do Corpo de Bombeiros, cuja exoneração foi publicada no último dia 24, por terem participado de uma reunião com o pré-candidato Jofran Frejat.

Com tanta intriga e malquerer fica a dúvida se não foi retaliação a truculência no recente fechamento da pensão que funcionava na casa da família do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle. A corda arrebentou do lado mais fraco: o presidente adjunto e uma superintendente da Agefis “tiveram suas cabeças cortadas”.

Antes da família Valle, 300 famílias que tiveram seus barracos derrubados no Sol Nascente reclamaram de excessos. Professores que participaram do bloqueio do Eixão, em 2015, e os donos de residências nas margens do Lago Paranoá que tiveram cercas derrubadas também. Muita roupa suja ainda vai ser lavada em público até outubro. Como se dizia do reino de Avilan, no governo Rollemberg nada funciona como deveria, o que sempre causa confusão.

Gutemberg Fialho é presidente do Sindicato dos Médicos do DF

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