Na hora de marcar o check-up anual, não se esqueça do urologista

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Muitas doenças urológicas surgem silenciosamente e por isso homens e mulheres precisam estar atentos à saúde de rins e bexigas. A visita também garante a prevenção de males que atingem apenas eles, como o câncer de próstata

O check-up anual vai além da visita ao cardiologista ou ao clínico geral. Ter uma vida saudável também pede a ida ao urologista, especialista que cuida do aparelho urinário, que inclui rins e bexiga, e trata também do aparelho reprodutor masculino.

Os especialistas reforçam a relevância dos exames preventivos, pois muitas doenças urológicas aparecem silenciosamente e o diagnóstico tardio pode reduzir a eficácia do tratamento. Como acontece com o câncer de próstata que, em média, mata 13 mil pacientes por ano, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Mais um exemplo é o cálculo renal, se não for tratado a tempo, a capacidade de funcionamento do rim pode ser comprometida.

A visita ao urologista pode começar cedo. A partir dos 18 anos já é recomendado fazer um check-up anual para “a realização de exame de imagem, ultrassom, que é feito para verificar se há alterações renais como pedra nos rins, que chega a atingir cerca de 10% da população”, explica o urologista Fernando Leão.

Quem está planejando se casar no próximo ano pode buscar um especialista para exames específicos.  “É importante fazer um espermograma para avaliar a fertilidade destes pacientes, pois a maioria acaba tendo um diagnóstico tardio da infertilidade, muitos só descobrem após anos tentando ter filhos. Esta infertilidade é, geralmente, causada por uma varicocele (a dilatação anormal das veias do testículo), que pode ser tratada precocemente, evitando assim, qualquer transtorno para os casais”, conta o médico.

Fernando Franco Leão, Urologista – Foto: Divulgação
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A ida ao consultório médico é um passo importante na prevenção de doenças urológicas, da mesma forma sugere-se que o paciente adote bons hábitos para ter um estilo de vida saudável. Controlar o peso, ter uma dieta balanceada, evitando o consumo de gordura animal, por exemplo, são alguns deles. Além de praticar regularmente exercícios físicos e se atentar a hidratação, bebendo pelo menos dois litros de água por dia.O especialista destaca que o paciente deve estar atento a qualquer alteração fisiológica e ao observar mudanças, é preciso buscar um médico para uma avaliação mais precisa. “Alguns sintomas podem ser indicativo de doenças urológicas: dores nas costas, especialmente na lombar; dificuldade para urinar, ardência ao urinar, ou ainda, secreção no canal da urina.  Outro indicativo é quando o paciente levanta várias vezes à noite para urinar ou tem a sensação de que a bexiga não está vazia”, diz Fernando Leão.

Exames

De maneira geral, os médicos indicam a realização de exames de laboratório, que são dois: de sangue e de urina. No primeiro, o especialista pode pedir hemograma completo, função tireoidiana, creatinina (indicador da insuficiência renal), níveis de colesterol, triglicérides e glicemia. Para homens acima de 45 anos, é medido o PSA, que auxilia no diagnóstico do câncer de próstata. O segundo pode indicar presença de bactérias indesejáveis no aparelho urinário, auxiliando assim no diagnóstico de possíveis infecções.

Além desses, o ultrassom de abdômen total ou outro exame de imagem pode ser pedido por um especialista para verificar o funcionamento dos rins, por exemplo. Contudo, dependendo do histórico e da idade do paciente, o médico pode solicitar outros testes mais específicos, como a tomografia computadorizada, utilizada no diagnóstico do câncer de bexiga.

Doenças urológicas

Ao urologista cabe investigar as doenças que atingem o aparelho urinário. São patologias que atingem tanto homens quanto mulheres e aparecem nos rins, nas vias urinárias ou na bexiga.

Nos rins, o cálculo renal, conhecido como pedra nos rins, se caracteriza pela formação de cristais e, com a evolução da doença, provoca dores intensas. Além disso, o paciente pode apresentar um quadro de infecção.

As infecções também podem aparecer nas vias urinárias e na bexiga, que apresenta outras doenças como câncer, incontinência urinária e bexiga hiperativa, que é a vontade súbita de urinar. Nos homens, o envelhecimento, aumento da próstata e diabetes aparecem como fatores de risco.

Entretanto, este especialista também cuida das patologias relativas à saúde masculina como o câncer de próstata e a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB).

A HPB se caracteriza pelo aumento da próstata e de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), acomete cerca de 80% dos homens acima dos 50 anos. A Sociedade Brasileira de Urologia aponta que existem 14 milhões de brasileiros convivendo com esta doença.

O câncer de próstata é o segundo tipo que mais comum entre os homens no país. Os números indicam que infelizmente, o preconceito afasta os homens dos consultórios, 48% deles nunca fizeram o exame de toque retal por machismo e a consequência é bem perigosa. Os dados do INCA trazem que em 2016 foram diagnosticados 61.200 novos casos, destes 2.070 foram em Goiás e 840 registrados no Distrito Federal. O instituto ainda estima uma média de 13 mil mortes por ano.

“Como o câncer de próstata não apresenta nenhum sintoma característico, muitos pacientes descobrem que têm a doença quando o tumor já está em estágio avançado. É importante que o homem se informe sobre os benefícios do exame para que não deixe o preconceito ou o medo prejudicar a prevenção e o diagnóstico do câncer”, explica Leão.

Fernando Franco Leão, urologista – É urologista e cirurgião robótico para tratamento do câncer de próstata. Além do Hospital Brasília, na capital federal, o especialista também opera nos hospitais 9 de Julho, Sírio-Libanês e Albert Einstein, em São Paulo. Leão é membro da Society of Robotic Surgery (SRS) e da American Urological Association (AUA), nos Estados Unidos, e também da Société Internationale D’Urologie (SIU), no Canadá.

Fonte: Ascom Conversa

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