Incompetência do Secretário de Saúde mantém Marco Barral sem órtese por dois anos

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Paciente informa que prótese foi comprada, porém, erro administrativo, falta de esterilização, aliado a  

Por Kleber Karpov

Em junho de 2016, Política Distrital (PD) publicou matéria sobre o caso do servidor público aposentado há 15 anos, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Marco Antônio Melo Barral, que aguardava, desde dezembro do ano anterior, por uma cirurgia para colocação de implante de prótese no fêmur. Após dois anos, finalmente PD tem uma ótima notícia. Mentira, Marco Barral continua a esperar o procedimento cirúrgico, com sequelas, em decorrência da falta de gestão por parte do secretario de Estado de Saúde do DF (SES-DF), Humberto Lucena Pereira da Fonseca.

Após ter vencido um câncer há alguns anos, Marco Barral se deparou com outro desafio, isso porque depende da boa vontade de a Secretaria de Estado de Saúde comprar uma prótese, para tentar corrigir o trauma de um acidente sofrido em dezembro. Entre a esperança de tentar concluir o tratamento, resta ao Aposentado, o receio, uma vez que a calcificação da “cabeça do fêmur”, resultou em sequela, que o impede de andar.

“Estou aposentado por invalidez, por causa de um câncer há alguns anos, e se isso não bastasse, quebrei a perna e estou desde dezembro esperando a compra pela SES-DF de uma prótese de quadril já que a quimioterapia arrebentou os meus ossos, principalmente os da cabeça do fêmur por isso a precisão da prótese.(SIC).”, se queixou à época.

Marco Barral explicou ao PD, que aguardava a compra de uma prótese de quadril “já que a quimioterapia arrebentou os meus ossos, principalmente os da cabeça do fêmur por isso a precisão da prótese.”.

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Desde então, PD tem acompanhado a evolução do caso de Marco Barral, porém, a cada conversa, fica apenas a constatação da total falta de capacidade por parte de Humberto Fonseca em prover tratamento digno aos usuários do Sistema Único de Saúde do DF.

Marco Barral não está sozinho

Em abril de 2015, quando o GDF tentou culpar a gestão do ex-governador do DF, Agnelo Queiroz, sobre a suposta existência de estoque de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME), para 50 anos, em uma tentativa de barrar ações dignas de improbidade administrativa, na gestão do governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB).

O ex-secretário de Saúde, João Batista de Souza, foi obrigado a admitir a existência da demanda de aproximadamente 5 mil cirurgias ortopédicas. Naquele ano, 250 de urgência e 4.700 eletivas. Número esse que na gestão de Humberto Fonseca, dado que a única grande ação do SES-DF foi encaminhar cerca de 80 pacientes para realizar tais procedimentos em Goiânia, certamente deve ter aumentado.

Avanços. Ops!

De volta ao caso de Marco Barral, em 11 de agosto desse ano, o usuário do SUS-DF acionou PD para informar que, finalmente, a SES-DF o havia convocado para a realização do procedimento cirúrgico, no Hospital Regional de Sobradinho (HRS).“Ligaram do Hospital avisando pra mim internar no domingo à noite, pois, a minha cirurgia esta marcada para quinta-feira pela manhã(SIC).”, afirmou contente.

Porém, após oito dias, uma nova e revoltante notícia. “Não foi possível fazer a cirurgia devido a um erro na parte administrativa do hospital ( Não fizeram o pedido de risco cirúrgico ) …….. é mole ??? (SIC).”. Na ocasião, Marco Barral informou que a Secretaria havia remarcado o procedimento cirúrgico para 13 de setembro. “Tenho que internar no dia 10/09/2017”, disse explicou.

No mês seguinte, PD fez novo contato com o usuário do SUS-DF, para saber das boas novas. Mas, infelizmente, outro problema abortou a realização da cirurgia no HRS.  “Nada, o aparelho de esterialização tava quebrado”, disse, ao reforçar a máxima que brasileiro não desiste nunca. “Mas estou com mais esperança …….. É o que me resta né (SIC)”.

Verdade Marco Barral, a esperança, ah a velha esperança, que muitos não sabem em relação ao ditado ‘a esperança é a última que morre’, pois na vida real, o senhor esperança, após copular com a fêmea, acaba devorado por ela.

Embora, até mesmo esse brasileiro que ‘não desiste nunca’ e usuário do SUS-DF, Marco Barral sentiu o peso da esperança se esvair, se dando por quase vencido pela inércia da gestão da SES-DF somado ao cansaço da espera pelo procedimento cirúrgico. “Não sei mais o que fazer, estou muito desanimado ………”, disse ao PD, em 17 de outubro, três meses após ser chamado para fazer a cirurgia, quase dois anos após ser internado e constatado a necessidade de se implantar a Órtese.

Em 22 de novembro, “na mesma cara! Nada !!! Nem sei mais o que fazer !!. Tô muito desanimado cara !!!”.

Desde o anúncio da chamada para a cirurgia, e trocas de mensagens de estímulo, positividade, felicitações, “Putz e puta merda, vou soltar nova matéria”,  PD voltou a acionar a SES-DF, em 7 de dezembro.

Na ocasião PD questionou o motivo da demora da realização do procedimento cirúrgico e se havia previsão da cirurgia de Barral ao lembrar a SES-DF que “estamos no final de 2017 e até o momento, embora a prótese tenha chegado e a cirurgia marcada (13/09/2017) e posteriormente remarcada, em decorrência do aparelho de esterilização que estava quebrado, o usuário do SUS permanece aguardando atendimento. ”.

Compenetrada, talvez com o Instituto Hospital de Base do DF (IHBDF), menina dos olhos do governador do DF, o socialista, Rodrigo Rollemberg (PSB), a SES-DF, dessa vez sequer perdeu tempo para responder ao questionamento sobre Marco Barral.

Se o senhor Humberto Fonseca utilizasse os quase R$ 350 milhões, não executados da Saúde, talvez a esterilização nos hospitais estivessem funcionando normalmente, e quem sabe Marco Barral pudesse comemorar, de pé, com a família pela suposta boa ação do governo, no próximo Natal.

Embora a prática fuja ao jornalismo, resta especular se a SES-DF deixou de responder ao questionamento pois a cirurgia de Marco Barral talvez esteja marcada e a Secretaria queira fazer uma surpresa ao usuário do SUS-DF. Afinal aniversário de dois anos, de acidente e mais, sem andar, por causa de uma sequela, em decorrência de falta de gestão, não acontece todos os dias.

Ou será que o SES-DF está aguardando que a prótese do servidor aposentado perda o prazo de validade, para que a Pasta tenha mais um item no estoque de 50 anos? Com a palavra, o secretário de Estado de Saúde do DF, Humberto Lucena.

Enquanto isso

Para tentar corrigir discrepâncias a exemplo do que acontece com Marco Barral, o deputado distrital, Reginaldo Veras (PDT) apresentou o Projeto de Lei (PL) 1290/2016 que estabelece direitos e garantias aos pacientes do SUS-DF. Com previsão de ser votado no início de 2018, se aprovado, o parágrafo primeiro do artigo primeiro estabelece algo que, aparentemente, deixou de existir na Secretaria de Saúde: “Atendimento digno e de qualidade pelos profissionais e estabelecimentos de saúde, incluindo serviços e instalações adequados à execução de procedimentos médicos e odontológicos.”

Confira o PL

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