Óbitos evitáveis: Médicos podem ajudar a denunciar casos ao Ministério Público

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Sindicato alerta sobre necessidade de médicos denunciarem para ajudar em possível investigação

Por Kleber Karpov

Uma matéria recentemente publicada pelo blog Em Defesa da Saúde mostrou uma realidade preocupante. Médicos atestam a ‘causa mortis’ por parada cardiorrespiratória, provenientes de evoluções de problemas que poderiam ser curados. Com isso endossam a irresponsabilidade da gestão da Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF). Mas, no que depender do Sindicato dos Médicos do DF (SINDMÉDICO-DF), casos como esses, devem ser denunciados e levados ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT).

No artigo intitulado Quer saber o laudo de sua causa morte antes mesmo de você morrer? O enfermeiro e blogueiro, Ivan Rodrigues, se referencia a casos analisados dos hospital de Base do DF (HBDF) e Regional do Gama (HRG) que apontam o caso de ‘mortes evitáveis’ que são apontados por ‘causa mortis’ a parada cardiorrespiratória.

Cuidado!

Um médico do HBDF, que pede sigilo sobre a identidade, conversou com Política Distrital e confirmou que o problema relatado por Ivan Rodrigues pode se transformar em ‘tendência’.

“De fato esse é um problema grave e se continuar do jeito que está será recorrente. Se um paciente dá entrada com um problema grave, mas passível de ser controlado. Se por falta de estrutura, de medicamento, de intervenção esse paciente não recebe o tratamento necessário, ele corre o risco de evoluir a óbito. E muitos desses casos, a consequência final, será uma PCR [Parada Cardiorrespiratória] que vai ser a causa mortis que vai constar no laudo do médico.”, explicou.

Sindicato alerta sobre o problema

Em 2016, o presidente do Sindicato dos Médicos do DF (SINDMÉDICO-DF), Gutemberg Fialho começou a apontar o crescente número de mortes evitáveis nas unidades da SES-DF.

Fialho denunciou no final de dezembro, o aumento de 15,24% de óbitos passíveis de serem evitados. O sindicalista apresentou dados do relatório do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) que apontou o registro de aumento de 874 mortes ocorridas em hospitais entre os meses de outubro de 2015 e setembro deste ano, com salto de 5.734 para 6.608 casos, aumento recorde desde 2006.

A falta de estrutura, de medicamentos, insumos, roupas são alguns dos fatores contribuem para o aumento dos casos. Somado a isso, definições de “prioridades equivocadas” apontadas por gestores que “brincam de tentar salvar vidas” são atribuídas a um “secretário de saúde aventureiro, sem o menor conhecimento de gestão”, ao se referir ao secretário de saúde, Humberto Lucena Pereira de Fonseca, e governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB).

“O governo ficou por quase dois anos brigando com os sindicatos, com a Câmara Legislativa, com os órgãos de Controle, jogando a população contra os médicos e demais profissionais de saúde, com o único objetivo de implantar Organizações Sociais [(OSs)] na gestão da Saúde do DF. Ao ver a resistência, tentou focar as OSs na Atenção Primária. Agora parece que desistiu das OSs, mas equivocadamente, o secretário de saúde, parece só enxergar a Atenção Primária, quando estamos alertando, o tempo todo, que as pessoas estão morrendo nas emergências dos hospitais. E em muitos dos casos são mortes que poderiam ser evitadas, se os gestores da saúde e o governador voltassem os olhos para a realidade. “, afirmou Fialho.

Denuncie

Na segunda-feira (13/Fev), o SindMédico-DF fez, por meio de publicação no website, um alerta aos médicos que atuam na SES-DF, para denunciarem os casos de mortes evitáveis. Isso porque os dados dos óbitos, provenientes de “desabastecimento ou de infraestrutura” devem ser relatados ao Sindicato para serem repassados ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT).

“Diante da falta crônica de condições adequadas para assistência aos pacientes do sistema público de Saúde do Distrito Federal, o SindMédico-DF pede aos médicos que encaminhem ao sindicato informação dos casos concretos de óbitos evitáveis presenciados nos hospitais. As informações serão repassadas ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para subsidiar investigações a fim de punir os verdadeiros responsáveis pelo caos na saúde. As identidades dos denunciantes serão preservadas. Faça a sua parte. Denuncie!”.

Chamamento do SINDMÉDICO-DF

 

 

 

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