Hospital da Criança, primo rico da Saúde, ganha afago do governador, mas os pobres…

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Rollemberg defende unidade de Saúde ou representante das Organizações Sociais durante novo projeto de governo pós-eleições?

Por Kleber Karpov

Após o Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) afastar, liminarmente, por 90 dias, o   afastamento do diretor-executivo superintendente executivo do Hospital da Criança de Brasília José de Alencar (HCB), o médico sanitarista, Renilson Rehem de Souza, funcionários da unidade e até o governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), se mobilizaram para manifestar apoio ao gestor.

Após o episódio, Política Distrital recebeu informação de uma funcionária do HCB, que pede para não ser identificado, que foram convocados pela chefia, para irem trabalhar de preto para se manifestarem em solidariedade ao retorno de Rehem ao Hospital. O encontro foi um sucesso e além da ilustre presença do governador do DF, o secretário de Estado de Saúde do DF, Humberto Fonseca, também compareceu (23/nov). “Os funcionários estão com medo de não irem de preto estão com medo de serem demitidos.”, afirmou a trabalhadora.

Estranhamente, a solidariedade do chefe maior do Governo do Distrito Federal, parece não estar ligado, especificamente, à questão da Saúde, mas em garantir a presença de Rehem à frente do HCB. Nesse contexto, em dois episódios Rollemberg se pronunciou nesse sentido.

O primeiro em discussão, por telefone, com o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Câmara Legislativa do DF (CLDF), Wellignton Luiz (PMDB). Isso por ter o parlamentar oferecido denúncias contra o Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (ICIPE) aos órgãos de controle.

O segundo, em reunião de lançamento oficial do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), presidido por Rehem, que representa 19 OSs em todo país. O evento ocorreu em São Paulo com a presença do governador do Estado, Geraldo Alkmin além do chefe do Executivo de Goiás, Marconi Perillo, ambos do PSDB. “Entendemos que a gestão que vinha sendo feita é qualificada, adequada, e o governo vai trabalhar no sentido de modificar essa decisão.”, afirmou Rollemberg na ocasião do evento.

Primo Rico

Foto: Reprodução Facebook/Rollemberg

Governador do DF, Rodrigo Rollemberg e Secretário de Saúde do DF, Humberto Fonseca com Funcionários do HCB pedem retorno de Renilson Rehem –  Foto: Reprodução Facebook/Rollemberg

Mas a solidariedade de Rollemberg para com o ‘primo rico’, não se limita apenas a defesa de Rehem. Nesse contexto vale observar que mesmo com contingenciamento de recursos, em meio a crise financeira, o GDF repassou mais de R$ 40 milhões ao HCB.

Solidariedade à parte, o HCB atende, prioritariamente, de crianças portadoras de câncer, mas também assume outras demandas, a exemplo de neuropediatria e endocrinologia. Mas, o atendimento na unidade acontece com as ‘portas fechadas’ ou seja, os pacientes devem ser encaminhados pela Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) ou de outros hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) de outras unidades da federação.

Ao longo dos cinco anos, recentemente comemorados, o HCB, apresenta números, supostamente de se causar inveja, isso se não forem confrontados, na devida proporcionalidade, com dados estatísticos dos ‘primos pobres’, hospitais que não recebem o mesmo aporte do governo e enquanto não vem a público, índices de efetividade e produtividade do Hospital da Criança.

Não se pode deixar de mencionar, que até recentemente, o próprio governador colocou em xeque a ‘eficiência’ ao referenciar o HCB como “excelência em gestão por meio de OS”. Em reunião realizada com blogueiros, Rollemberg afirmou que desconhecia a existência de uma fila de regulação, à época com cerca de 17 mil crianças, para serem atendidas específicamente naquele hospital. Ainda assim, o governador não mede esforços, para demostrar solidariedade com o ‘primo rico’.

Primos Pobres

O mesmo não se pode dizer dos ‘primos pobres’ que recebem demandas da atenção primária, secundária, terciaria, quartearia, usuários do SUS em demandas de urgência e emergência. Onde os servidores passaram a ser marginalizados pelo próprio governo, e não existe o mínimo esforço para melhorar as condições de trabalho dos ‘vagabundos’ que reclamam de ‘barriga cheia’, conforme parte da imprensa chegou a absorver.

Peso de consciência?

Vale observar que, além do afastamento temporário da gestão do HCB, por força de uma Ação Civil Pública do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), em outra ocasião, Rehem foi afastado, a pedido do Ministério Público de Contas do DF (MPC-DF), vinculado ao Tribunal de Contas do DF (TCDF), da condição de conselheiro do Conselho de Saúde do DF (CSDF).

No CSDF o presidente do IBROSS e gestor do ICIPE onde representava interesses dos gestores. Entre outras irregularidades na gestão do HCB, o MPC-DF apontou, a influência exercida pelo representante do IBROSS e do ICIPE na definição do futuro e da gestão da saúde pública do DF.

Talvez Rollemberg tenha saído em defesa do HCB, entenda-se, de Rehem, por envolvê-lo, deliberadamente ou não, em uma jogada que pode colocar na conta do ex-secretário de Saúde do DF, Fábio Gondim, uma ação de improbidade administrativa. Isso nomeá-lo e outras três pessoas, de um total de sete, para compor um Grupo de Trabalho (GT), para definir os rumos da saúde do DF, como se fossem servidores da SES-DF.

O caso veio a público em matéria publicada por Política Distrital, posteriormente denunciada pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimento de Saúde do DF (SINDSAÚDE-DF) à CPI da Saúde. Essa por sua vez, encaminhou as denúncias ao MPDFT e ao TCDF que culminaram nos pedidos de afastamentos tanto do CSDF quando da gestão do HCB.

Nesse sentido, Gondim se defendeu à época, ao ser questionado por Política Distrital e informou que a publicação da portaria aconteceu cerca de 20 dias após tomar posse na SES-DF e que não tinha conhecimento que Rehem e os demais nomes indicados para compor o GT não fossem do quadro da Secretaria de Saúde.

Semana da abraços

Enquanto o governador do DF, correu para o abraço do ‘primo rico’ ou o chefe das OSs, na semana em que o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) completa 50 anos, os servidores se unem para abraçar o ‘primo pobre’ e ‘velho de guerra’ na terça-feira (29/Nov).

Afinal o HMIB que traz no acervo histórico desde dias de glória, de ser referência em realização de partos, cirurgias obstétricas, pediátricas e também em reprodução assistida, atualmente, coleciona situações deploráveis.

O Hospital chegou a ponto de, por falta de elevador, ter grávidas, mães em trabalho de parto e mesma as recém-mamães obrigadas a subir e descer a escadaria do hospital por falta de elevador.  Nada que não pareça ter virado protocolo entre os demais primos pobres.

“Ouça um bom conselho”

Se o HCB é uma excelência em qualidade de atendimento a exemplo do que sugere o governador, porque Rollemberg não nomeou Rehem para gerir a Secretaria de Saúde pública do DF? Pode ser um marco para recuperar essa pasta tão sensível e banhada pela corrupção. Mas a pergunta que não quer calar é. Será que Rollemberg vai abraçar o HMIB?

HMIB, Um grande abraço!

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Kleber Karpov

@KleberKarpov Jornalista (MTB 10379-DF) Perfil Acadêmico e Profissional Pós-Graduando em Auditoria em Serviços de Saúde (ICESP-DF) Graduado em Jornalismo (ICESP-DF); Ciências Políticas (Veduca/USP); Consultor em Tecnologia da Informação; Consultor em Marketing Político; Coordenador de Campanhas políticas ou institucionais; ex-Assessor Parlamentar na Câmara Federal; Vice-Presidente da Associação Brasiliense de Blogueiros de Política (ABBP); Projetos Pessoais e Sociais: Criador do projeto www.queromeucarrodevolta.com.br (2012), para vítimas de roubos e furtos de veículos; Editor e Apresentador do telejornal Quero Meu Carro de Volta Apresentador do Panorama Político (Rádio Federal) Envie sua sugestão de pauta: Whatsapp: (61) 99606-2984 E-Mail: karpovls@gmail.com

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Comentário

1 Resultado

  1. 10 de maio de 2017

    […] Esse é o caso do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), apontado pelo MPDFT . O hospital, que também mantém atendimento especializado em oncologia, para crianças, vive o mesmo drama das demais unidades de saúde, com desabastecimento de medicamentos, insumos, suspensão de serviços, atrasos de pagamentos de servidores, entre outros problemas. […]