Caminho da Hemobrás precisa ser revisto, defende Caiado

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O senador Ronaldo Caiado (Democratas-GO) afirmou que a irresponsabilidade e a corrupção de gestores com o desenvolvimento da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) impõem um revisão total no projeto governamental. Em audiência que presidiu sobre o assunto no Senado, nesta terça-feira (22/11), o senador recebeu especialistas e representantes do setor para traçar um panorama geral da empresa e os efeitos que a Operação Pulso – deflagrada em novembro de 2015 – teve em seu funcionamento.

Foram ouvidos o presidente da Hemobrás, Oswaldo Cordeiro de Paschoal Castilho; a diretora de Produtos Estratégicos e Inovação, Laura Carneiro; o presidente da Associação Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia, Dimas Tadeu Covas; e o representante do TCU, Messias Alves Trindade.

“A situação aqui descrita sobre a Hemobrás demonstra que não houve nenhum zelo com um setor estratégico na política de saúde do Estado brasileiro. A irresponsabilidade com que trataram o projeto faz com que este tenha que ser revisto. Existem excessos em tudo, são erros logísticos e operacionais que vão de encontro a qualquer critério técnico”, criticou o senador.

Erros

Os especialistas apontaram diversos erros que começaram desde a concepção do projeto, como a determinação de que a fábrica da empresa pública ficasse situada no município pernambucano de Goiana.  “Ao todo, 60% da matéria prima é gerada na região Sudeste e no entanto ela foi construída no Nordeste criando problemas de logística”, lembrou Covas, que também citou a improdutividade da atual fábrica.

“A fábrica foi projetada em 2004 para produzir 500 mil litros de plasma, mas hoje não consegue gerar 200 mil. Quando se compara ao que existe no mundo, essa é a construção com a pior capacidade produtiva por metro quadrado construído”, criticou.

Tecnologia

Outra cítica detectada na audiência foi o acerto com a estatal francesa LFB, que ficou responsável por vender e repassar a tecnologia usada na concepção do fator recombinante usado.

“Quando se escolheu essa estatal francesa, ela sequer tinha a tecnologia que está implantando aqui. E hoje esta tecnologia está ultrapassada. O projeto acumula erros desde a sua concepção”, criticou novamente Covas. Já Paschoal Castilho, que só está à frente da empresa há 40 dias, ressaltou que o conceito da empresa não deve focar só no lucro, mas na autossuficiência do Estado para atender a população.

Hemobrás

A Hemobrás foi criada para a produção de hemoderivados a partir do fracionamento industrial do plasma e também a fabricação de produtos obtidos por biotecnologia. Ela serve majoritariamente ao SUS e é inclusive beneficiada por parte de recursos destinados ao sistema.

“Quando debatemos na Câmara a Emenda 29 (Saúde+10) fomos rígidos em não admitir que nenhuma outra área fosse incluída em gastos de saúde que não fosse o atendimento à população. A única concessão foi a Hemobrás. É sempre bom lembrar que o dinheiro da Hemobrás é dinheiro do SUS”, alertou Caiado.

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