Ex-ouvidor da Vice-Governadoria fica em silêncio na CPI da Saúde do DF

Print Friendly, PDF & Email

CPI pode ter atirado no que viu e acertar o que não viu

Por Kleber Karpov

Munido de quatro advogados e um habeas corpus preventivo o ex-ouvidor da vice-governadoria do DF, Valdeci Marques de Medeiros, não respondeu às perguntas dos deputados que compõem a CPI da Saúde do DF. Medeiros participou de oitiva na Câmara Legislativa do DF (CLDF), nesta quinta-feira (17/Nov).

Medeiros foi pivô de gravações realizadas pela presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos da Saúde do DF (SINDSAÚDE-DF), em reunião com o vice-governador do DF, Renato Santana (PSD). Isso porque os áudios gravados, vazados e publicitados pelo Metrópoles foram gravados na casa do ex-ouvidor.

O silêncio de Medeiros na CLDF, deixou o relator da CPI da Saúde, deputado Lira (PHS), chateado e resultou no pedido da quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal do depoente. Com isso, se acatado o requerimento, a CPI da Saúde, pode acertar situações e esquemas na gestão do SINDSAÚDE-DF.

Afinal, também em depoimento durante oitiva na própria CPI da Saúde, a presidente do Sindicato, Marli Rodrigues, ao ser questionada pelo ex-distrital, Roosevelt Vilela (PSB) foi obrigada a admitir que Medeiros faz parte do quadro de servidores do Sindicato, embora, à época estivesse licenciado.

Ex-braço direito da Sindicalista, a grande dúvida em relação a participação de Medeiros é se o mesmo foi cúmplice ou ‘entrou de gaiato no navio’ e corre um grande risco de ser afundado, a exemplo de alguns nomes ligados à gestão do SINDSAÚDE-DF.

Operação Drácon

A presidente afastada da CLDF, Celina Leão, entregou aos membros da CPI, uma cópia integral do inquérito da Operação Drácon e ainda de todas as conversas gravadas por Marli Rodrigues. Na ocasião, a Leoa, como é conhecida, reafirmou inocência, e autorizou, oficialmente, a CPI a quebrar seu sigilo bancário, fiscal e telefônico.

Nesse caso, vale observar que a Sindicalista, mentiu à CPI da Saúde durante a oitiva, ao negar ter posse de novos áudios, e semanas depois revelou a existência de outros, entregues ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT).

Celina defendeu ainda a necessidade de dar continuidade das investigações pela CPI além de criticar o fato de o inquérito não ter investigado as “muitas denúncias” envolvendo o governo local. A distrital, lembrou que no inquérito, com mais de 400 páginas, é mencionada apenas uma vez e que os parlamentares se tornaram os principais alvos da operação Drácon, ao fazer alusão do desvio de foco das investigações, em relação ao Executivo.

“Em mais de quatrocentas páginas, eu só apareço no inquérito uma vez na denúncia feita pela deputada Liliane Roriz”, ressaltou Celina Leão

Prorrogação adiada 

O requerimento para a prorrogação da CPI, por mais 180 dias, que estava na pauta para ser votado hoje, só será apreciado em sessão extraordinária da CPI, na próxima segunda-feira (21). A decisão foi anunciada após a saída da reunião do relator Lira, por alegar problema de saúde na família, e da recusa do deputado Robério Negreiros (PMDB) de participar da votação, sem a participação do relator. Negreiros defendeu que não haveria em virtude do adiamento, pois o prazo inicial para encerramento da CPI só acaba na sexta-feira (25).

O adiamento da votação provocou clima tenso na reunião. Negreiros deixou o plenário e retirou o quórum para deliberação. O presidente da CPI, Wellington Luiz (PMDB), não escondeu sua irritação com a não-votação do requerimento, mesmo depois de informar que o deputado Lira assinara antes requerimento para a prorrogação dos trabalhos da CPI. Ele denunciou “uma interferência clara do Buriti”. O deputado Bispo Renato Andrade (PR) também protestou: “Quem aceita pressão do governador não serve para ser deputado e representar a população”.

Com informações de CLDF

0