Rollemberg: Entre a cruz e a espada

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Em meio a promessas, muitas expectativas e poucas realizações, aos seis meses à frente do Governo do Distrito Federal (GDF),  Rollemberg não consegue mostrar ao que veio.

Matéria publicada pelo jornal Correio Braziliense deste domingo (5/Jul), assinada pelo jornalista, Matheus Teixeira, traça com exatidão, o perfil político do governador, Rodrigo Rollemberg (PSB). Na matéria Teixeira menciona a ascensão isolada dentro do Partido nos cenários políticos nacional e local; à falta de representação partidária, de representação no meio sindical, de militância e de apoio popular; além da própria fluidez da base aliada no Legislativo.

Mesmo com tantas adversidades especialistas são unânimes em dizer que a governadoria do DF caiu no colo de Rollemberg quando o então candidato, o ex-governador, José Roberto Arruda (PR-DF) foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Lei da Ficha Limpa. Candidato esse que venceria as eleições, dado a baixa popularidade do também ex-governador, Agnelo Queiroz (PT) e a então inexpressiva percentagem de adesão à candidatura do atual governador.

Mas nem tudo foi tragédia na trajetória de Rollemberg. Esses mesmos especialistas apontam que o Governador, ao assumir o GDF, tinha a faca e o queijo nas mãos, sobretudo pela situação em que Queiroz entregou o governo.

O déficit de cerca de R$ 3,2 bilhões nos caixas do Buriti, as paralisações de empresas fornecedoras de produtos e serviços ao GDF e ainda dos servidores da Saúde e Educação, ao mesmo tempo que se mostravam como desafios, eram e poderiam ser utilizadas por Rollemberg como instrumentos de apoio popular se o governo tivesse ‘jogo de cintura’. Os sindicatos estavam fragilizados uma vez que, direta ou indiretamente, vieram da base de apoio da gestão petistas. O Legislativo por sua vez, mesmo com interesse no guarda-roupas do Governador, assumiram como público e notório a necessidade de ‘recuperar’ o Distrito Federal.

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No entanto, ações precipitadas, a exemplo da transferência do ônus, da dívida pública à população do DF, de não se dar ouvido aos anseios da sociedade organizada, de estratégias equivocadas de se transferir ao ex-chefe da Casa Civil, Hélio Doyle, a responsabilidade de responder pelas pautas negativas do governo enquanto a imagem de Rollemberg era preservada e associada tão somente a ações propositivas, de pouca relevância, aliada a falta de articulação política entre Executivo e Legislativo, propiciaram aos poucos, porém, de forma acelerada, um desgaste na relação do governo a quem todos tinham como ‘Salvador da Pátria’.

Não se pode deixar de mencionar que Rollemberg se isolou daqueles que o elegeram tanto por parte da militância quanto por parte dos partidos coligados e da base aliada ao governo. O que rendeu muitas críticas, sobretudo por manter nas estruturas do governo, quadros petistas, amplamente criticados por todos que serviu como pano de cortina, do descontentamento generalizado na Câmara Legislativa do DF (CLDF) e ainda agregou diversos nomes dos governos Arruda e Roriz.

Efeito Doyle

Além desses fatos a incapacidade de articulação política e a queda de Doyle, sob o pretexto de permitir a convergência entre o governo com o Legislativo teve um peso relevante nesse desgaste. Isso porque essa saída do braço de ferro do governo teve uma dicotomia ‘dúbia’. Primeiro porque antes mesmo de deixar a Casa Civil, o ex-chefe iniciou uma série de ataques ao Legislativo ao revelar que os deputados distritais cobravam do Executivo mais espaço no Governo, prática essa, infelizmente tão combatida, mas perpetuada por Rollemberg. Basta se analisar as nomeações de administradores e muitas nomeações dos órgãos do GDF.

E mesmo após a saída, o ex-chefe da Casa Civil, continua com grande influência nas decisões da cúpula governista, a exemplo de indicações de nomes para ocupar cargos estratégicos na cúpula do GDF, entre eles os nomes dos jornalistas, Vera Lúcia Canfran  e Ricardo Taffner, respectivamente para Secretária e Adjunto da Secretaria de Comunicação do DF. Vale observar que a nomeação de Taffer, por indicação de Doyle, culminou  no pedido de exoneração do ex-adjunto de Comunicação, Ricardo Callado, por entender que com a nomeação do novo adjunto da comunicação, toda a comunicação do governo e o próprio governo, continuariam a se reportar ao ex-chefe da Casa Civil.

Longe de convergir, as criticas de Doyle, por mais que tenham atingido a opinião pública, potencializou o clima de descontentamento entre o governo e a CLDF, o seja, aumentou o desgaste para Rollemberg administrar.

O troco errado da CLDF

O desgaste só não foi maior, por parte na CLDF, a resposta dos distritais  foi uma espécie de ‘baixo calão social’ sem precedentes, que abriu a prerrogativa de o Governador, abrir um sorriso amarelo no rosto, colocar as mãos na cintura, fazer pose e dizer: – Não sou o único a fazer besteiras.

Isso por três fatores, a quantidade de Projetos de Leis (PLs) aprovados pela CLDF, 55 em um único dia quando ao longo do semestre, apenas 19 foram votados anteriormente; a baixa qualidade dos PLs apresentados, que deu a entender que muitos distritais parecem legislar em sobre o próprio terreiro e se esquecem que estão à serviço de uma população de cerca de 2,8 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE; e terceiro, por permitir a possibilidade de a população voltar com o discurso que sempre rondou a cidade:  A Câmara Legislativa precisa acabar pois não passa de uma câmara de vereadores, de segunda categoria, e não serve para nada.

Essa última análise essa que pode ser refutada uma vez que existe o esforço de alguns parlamentares em demonstrar que a CLDF tem um papel importante à população do DF, como bem mencionou o jornalista e cientista político no artigo intitulado A Câmara Legislativa, o circo e o pão (04/Jul), embora haja muito a evoluir. Bons exemplos podem ser vistos nesse mandato: O impedimento de o governo colocar toda a conta do déficit deixado pelo ex-governador, nos bolsos da população; O impedimento da entrega de empresas estatais à iniciativa privada; O apoio dado aos servidores públicos em relação ao discurso da demissão caso o GDF não conseguisse aumentar a arrecadação;

Por outro lado a população, nas eleições passadas, deu uma ótima demonstração que está de olho nas ações dos distritais e do próprio Executivo, ao promover a troca de 50% dos parlamentares na CLDF e impedir que o ex-governador, sequer, chegasse ao segundo turno.

Limonada de Uva

O isolamento de Rollemberg proveniente da queda de braço com o Legislativo e a falta de apoio generalizada, institucional, sindical e social tem demonstrado que no que tange ao governo Rollemberg que a seguinte frase dita por este articulista pode resumir a ópera: Nessa limonada é difícil se discernir o que é suco de uva ou vinho. A boa notícia é que ainda há  saída para remediar o caos iminente. Resta saber se o governador terá habilidade política para fazer as reformas necessárias e conseguirá responder à altura a expectativa de todos.