Governo do Distrito Federal aparelha politicamente o BRB

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Da Redação

O governo Rollemberg, que na campanha de 2014 condenou veementemente o ex-governador Agnelo pela utilização de cargos públicos para fazer barganha política, vem cometendo o mesmo erro, e fazendo do BRB um espaço de composição política, em uma escalada preocupante de aparelhamento.

Já na saída, indicou o operador de mercado Ricardo Leal para o Conselho de Administração do banco. Segundo se comenta no banco, já publicado em blogs de Brasília, Ricardo Leal teria recebido carta branca do governador para “tocar o BRB” da forma que melhor lhe conviesse. Há quem diga que diversos ocupantes de cargos estratégicos na instituição, inclusive o de presidente, teria passado pelo crivo de Ricardo Leal. Segundo se comenta ainda, ele, Ricardo Leal, seria amigo de infância de Rollemberg.

Há cerca de três semanas, inesperadamente, o ex-presidente da Financeira BRB, André Perezino, funcionário de carreira do banco e presidente da Financeira desde 2011, cuja permanência no cargo havia sido confirmada pelo governo Rollemberg, foi subitamente substituído por um nome indicado pelo deputado federal Rogério Rosso, ex-governador de Brasília e alvo de denúncias de um delator recente da operação Caixa de Pandora.

Em nota publicada na coluna Eixo Capital, de Ana Maria Campos, no Correio Braziliense de 19 de abril, está explicitamente expresso que Geraldo Lourenço de Almeida, ex-secretário de governo na gestão Rosso, seria mais uma indicação dele para o governo, para a presidência da Financeira BRB. O indicado por Rosso, pelo que se comenta, não tem nenhuma experiência em gestão de nenhuma empresa vinculada ao sistema financeiro, o que é preocupante.

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Aliás, sobre esta situação, o Sindicato cobra responsabilidades dos deputados distritais que ainda terão que sabatinar Geraldo Lourenço, especialmente em relação a este quesito de inexperiência no mercado bancário e financeiro.

Ainda sobre a Financeira BRB, a súbita demissão de André Perezino do cargo deixou a empresa praticamente acéfala, e ainda atentando contra o próprio estatuto da mesma, pois resta somente uma diretoria ocupada, uma vez que o indicado só poderá tomar posse após ser aprovado pela Câmara Legislativa do DF – isto se for aprovado.

Uso político do BRB

É fundamental lembrar que o uso político do BRB na gestão Arruda, além de ter feito a desastrada operação FCVS, cujo resultado foi um prejuízo de mais de R$ 134 milhões, arruinou a Financeira, com empréstimos para as cooperativas amigas de Arruda que resultaram em perdas superiores a R$ 70 milhões para o banco.

Não bastasse este histórico, agora, em declaração de propósitos publicada na imprensa do DF nos últimos dias, aponta-se a indicação do ex-governador do Espírito Santo Renato Casagrande para cargo diretivo no BRB. Casagrande, filiado ao PSB, partido de Rollemberg, foi senador e teve como último cargo público o de governador do Espírito Santo. Trata-se de mais uma indicação política para o BRB, exatamente o que Rollemberg tanto criticou na gestão Agnelo.

“Rollemberg cativou inúmeros votos no Distrito Federal, e em especial no BRB, por apresentar um discurso completamente diferente da prática que sempre pautou a formação de outros governos e, por conseguinte, de diretorias do banco. Agora, eleito, e governador de fato, parece que esqueceu o discurso de campanha e promove um aparelhamento político preocupante do BRB”, comenta o diretor do Sindicato
Antonio Eustáquio.

Gente “de fora”

Além disso, algo que tem chamado a atenção refere-se ao número de “estrangeiros” em cargos estratégicos do banco. Embora tenha sido o primeiro governador a indicar e confirmar um presidente originário da casa, parece que, para compensar, tem colocado inúmeras pessoas de fora dos quadros da instituição financeira na estrutura do conglomerado.

No próprio banco, a metade é formada por membros de fora dos quadros. Para a Cartão BRB, trouxe um presidente que é ex-funcionário da Caixa Econômica Federal. Na corretora também colocou uma pessoa “de mercado” e, consequentemente, externo aos quadros do BRB. Na BSB Ativos, o presidente também é de fora, bem como um diretor da DTVM. E agora, remove um quadro de carreira do BRB, cujo trabalho recuperou a Financeira, para entregá-la a um apadrinhado do deputado Rosso que, além de ser de fora do banco, não possui experiência na área.

“O governador está rasgando seu discurso de campanha, de valorização dos quadros próprios. Apenas para comparar, no BB e na Caixa, todos os diretores são quadros de carreira. No BB, o presidente é de carreira, e a maior parte dos vices também é originária do próprio banco. Algo semelhante ocorre na Caixa. Parece que Rollemberg cedeu ao aparelhamento político e se esqueceu dos compromissos de campanha. Provavelmente está contando com a ‘memória curta’ dos eleitores. Porém, o Sindicato não se esquece do que ele disse, e cobra coerência”, comenta Daniel de Oliveira, diretor
do Sindicato.

“Este movimento do governador preocupa mais ainda pelo fato de o banco estar apresentando um resultado decepcionante. No primeiro trimestre, o resultado do banco projeta um lucro de aproximadamente R$ 20 milhões, muito baixo em qualquer comparação que se faça. E o pior é que o conjunto dos funcionários já se recente de a diretoria não apresentar um caminho para o banco. Já entramos no quinto mês do ano, quarto da atual gestão, e o que está se tornado perceptível pelos funcionários é que o banco parece não ter planejamento para o curto, médio e longo prazos”, aponta o diretor do Sindicato Cristiano Severo. “O fato é que a atual diretoria não mostrou ainda a que veio. A única ação concreta até agora foi a redução da estrutura da Direção Geral, que caiu de quinze membros para oito, uma medida importante, porém muito distante do que o BRB precisa para retomar o papel que merece e precisa ter no Distrito Federal”.

Fonte: Bancários DF

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