Rollemberg e os achincalhadores da Câmara Legislativa do DF

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O governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), aos quase 100 dias de governo tem demonstrado inabilidade política para resolver as questões do DF. Sem poder continuar a se ater à crise financeira Rollemberg tenta repetir a façanha do ex-governador, Agnelo Queiroz (PT), de arrebanhar 20 ou mais deputados distritais na base aliada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Acostumado aos longos prazos da esfera Legislativa, em que o tempo entre a apresentação de um projeto e sua votação efetiva pode levar anos em tramitação, Rollemberg, segue na gestão do DF à passos de tartaruga e com isso o Distrito Federal sofre com a inércia da ação do governo.

Essa lentidão se refletiu na escolha do time do primeiro escalão, ainda durante o período de transição de governo. Após a posse, o governador perdeu 20 preciosos dias para anunciar os administradores, além de criar a figura ainda persistente dos interinos. Essas ações dão clara evidência que Rollemberg não se ateve ao fato que os ‘times’ do Legislativo e do Executivo são totalmente diferentes. E que a inércia com questões relevantes, à frente do GDF, impacta negativamente no desenvolvimento e na resolução de problemas do DF.

Em paralelo, Rollemberg, que tenta obter o apoio incondicional dos distritais, ao custo de algumas administrações e cargos estratégicos no governo. Mas sob influência do ‘governador, Hélio Doyle, ou melhor, chefe da Casa Civil, e da equipe de governo, o Governador começou a gestão jogando uma bomba nas mãos dos distritais. Uma série de medidas antipopulares a exemplo das medidas de austeridade, o ‘Pacto por Brasília’ ou ainda das fusões de administrações.

Esses ‘pacotes da maldade’ surtiram efeitos contrários ao esperado por Rollemberg. E não há administrações que dê jeito. Isso por um motivo muito simples. Se a gestão Hélio Doyle continuar da forma que está, tentando impor medidas duras à população do DF via CLDF, os mandatos dos deputados distritais, em aderência com o governo, não passarão de 2017, juntamente com o de Rollemberg, que parece patinar sobre quiabos cozidos, pois corre um sério risco de não contar sequer com os partidos que compuseram com o PSB na eleição passada, uma vez que já deu demonstração pública e notória que não é capaz de honrar acordos.

Distritais aprenderam a lição?
Atentos à renovação de 50% na CLDF, ao poder de mobilização e da nova percepção das pessoas em relação às ações políticas. Sobretudo após a forte influência das redes sociais e de aplicativos, a exemplo dos Whatsapps da vida. Os distritais podem até se mostrar consonantes com o governo e assinar a participação na base do governo. Mas, nunca, em hipótese alguma, repetir a dose de serem corresponsáveis de um governo, sobretudo quando os indicativos apontam a ascendência do Executivo.

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Vale observar que para os distritais o risco é muito grande e apenas ter ‘bala na agulha’, pode não ser o suficiente a uma reeleição. Com uma população de eleitores de aproximadamente 1.9 milhões de votantes, dados do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF) e a grande quantidade de candidatos, mais de 1000 na eleição de 2014, se perpetuar na carreira política e convergir, plenamente, com o Executivo pode não ser um bom negócio.

Basta observar que Rollemberg tem na presidente da CLDF, Celina Leão (PDT), a principal aliada do governo. Porém mesmo esse apoio de peso, projetos polêmicos do Executivo não conseguem avançar na Casa. As fusões das administrações são um bom exemplo. Sabendo que o Governador é voto praticamente vencido, Leão não quis se arriscar pois, assim como os demais deputados, sabe que aprovar um projeto dessa natureza, pode significar, estar fora do cenário político em 2018. Com sabedoria, soube buscar a saída de um legítimo representante do povo: “Esse é um tema muito polêmico e vamos fazer uma discussão ampla com a população”.

Se ceder corre o risco de dançar
Um exemplo de impacto negativo na relação Legislativo com o Executivo acontece pegou o distrital, Ivonildo Antonio Lira de Medeiros da Silva (PHS), conhecido por Lira, eleito pela comunidade de São Sebastião. Isso porque a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) fez uma derrubada de 13 casas de pessoas humildes (4/Abr), vítimas de grileiros, no Morro da Cruz, zona rural de daquela cidade.

O parlamentar que nas eleições esteve nas rodas de conversas e deu apoio ao Governador, não foi encontrado, ou deixou os compromissos urgentes para defendê-los na ocasião da ação da Agefis. O resultado pode ser desastroso.

Rollemberg quer assustar?
Mas resta alguns questionamentos: Porque Rollemberg continua com o governo estagnado e mantém essa ideia fixa de governar com uma maioria esmagadora na base de aliados na CLDF? Depois de tantas medidas impopulares, mesmo sabendo que o Governador, não tem o apetite voraz do antecessor, de edificar elefantes brancos faraônicos ou de executar obras descontextualizadas com as necessidades da população do DF, não seria obsessão essa fixação? O que o governador ainda pretende impor ao DF que dependa de mais da metade dos votos na CLDF?

Achincalhados e achincalhadores
É possível que nesse cenário algumas pessoas da cúpula do GDF, por analogia, peguem uma carona no discurso do ex-ministro da Educação, Cid Gomes, e concordem com a afirmativa de que na Câmara Federal, há um bando de achincalhadores, mas em relação aos distritais da CLDF.

Mas uma boa análise sobre o cenário político do DF mostrará que a condução política do DF está achincalhada e que os deputados distritais, por interesses próprios ou do bem comum do povo do DF, têm demonstrado bom senso na condução política dos mandatos. E com isso os distritais não querem embarcar nessa canoa furada. Pois se Rollemberg não encostar o governador Doyle e não se ligar nos ‘times’do Executivo, a população do DF continuará a ser achincalhada.

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