90 dias de desastres do governo Rollemberg. Será que muda?

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Eleito para recuperar um cenário de caos, ‘esperança’ da população do DF o ex-senador, Rollemberg, parece longe de atender as expectativas e próximo de ser ‘apenas mais um’.

No que pese a inegável dificuldade orçamentária deixada pelo Governo Agnelo Queiroz (PT/DF), os comprovados desvios de verbas, o déficit público, o sucateamento estrutural e o ‘inchaço’ da máquina pública que foram herdados, o atual Governador, Rodrigo  Rollemberg tem demonstrado uma patente ineficiência de gestão, uma equivocada diretriz política e um governo que entrará para história do DF como desastrado!!!

Incapaz e ineficiente na escolha dos próprios colaboradores, Rollemberg caiu no descrédito da opinião pública e tornou-se alvo de piadas e “chacotas” por parte do empresariado do DF. O governo de Rollemberg, até o momento, foi marcado pelos ‘desastres’ advindos de um ‘amadorismo’ de gestão e uma ‘imaturidade’ política que poderá custar à sobrevivência como ‘homem público’, e por um fim precoce da trajetória política.

Nomeações equivocadas

Após assumir o mandato Rollemberg nomeou colaboradores com perfis que não encontram qualquer tipo apoio ou aprovação de seu eleitorado ávido por mudanças. São exemplos de nomeações equivocadas o ex-subsecretário de Microcrédito e Empreendedorismo da Secretaria de Trabalho, Alexandre Donikian Gouveia, com mandado de prisão expedido ano passado pela 6ª Vara Criminal de Curitiba; o ex-diretor do Departamento de Transido do DF (Detran-DF), Antônio Fúcio, com 50 multas somadas em mais de R$ 6 mil (valor não corrigido), advindas de irregularidades de trânsito;  o ex-diretor da Terracap, Fábio Rolim, por envolvimento em escândalos de corrupção: a CPI dos Bingos (2004) e das ONGs (2007); o ex-subsecretário da Subsecretaria de Administração Geral (SUAG), da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), José Meneses Netto, condenado por irregularidade em contas públicas por parte do Tribunal de Contas por participar da ‘Máfia dos Sanguessugas’; e a ex-administradora da Região Administrativa de Vicente Pires,  Maria Celeste Rêgo Liporoni, que ‘tombou’ como ‘patrimônio do DF’ imensos buracos de vias públicas, tampados pela sociedade em face a ‘omissão e incompetência’ do GDF, com o agravante de registrar Boletim de Ocorrência em delegacia de polícia, contra os líderes comunitários a frente da ‘operação tapa buracos’ comunitária; Além disso soma aos equívocos nomeações ‘suspeitas’ e  assessorias ‘não oficiais’, a frente de pastas importantes ao governo.

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Um equívoco na Agefis

Mas o Governador prosseguiu com os inegáveis ‘desastres’ ao nomear para gerir a regularização dos condomínios horizontais à presidente da AGEFIS, Bruna Pinheiro, que diz ter “nojo” de moradores da região do Jardim Botânico, além de ameaçar com demolição, casas edificadas há mais de uma década. Isso em locais estruturados e reconhecidos pelo próprio GDF ao validar as moradias da região com fornecimento de serviços públicos das Companhias Energética de Brasília (CEB) e, de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB) e realizar a cobrança de Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana do Distrito Federal (IPTU) e da Taxa de Limpeza Pública (TLP), o que dá aporte financeiro e ‘engorda’ o caixa do governo.

Rollemberg, perigosamente, se ‘esquece’ do tamanho e da importância do referido colégio eleitoral, estratégia perigosa, quando as regiões dos condomínios horizontais agregam mais de 300 mil pessoas.

Administrações Regionais

Outro tema controverso que gerou apenas expectativas e desgastes ao Governador, foram as tentativas de extinções, fusões e até de divisão das Regiões Administrativas (RAs). As nomeações de administradores por ‘critérios’ estabelecidos pelo próprio Rollemberg: ser residentes das RAs, indicados pelos moradores e ‘Ficha Limpa’ configuram um estelionato do estelionato eleitoral.

Isso porque o que se viu em algumas localidades foram ‘mudanças’ realizadas à surdina, na calada da noite, e nomeados por conveniência política, sem o menor respaldo da população daquelas RAs. Além de retrocessos em relação as desastradas decisões tomadas quando bastaria se levar em conta os interesses daquelas comunidades.

Austeridade a que custo?

De forma precipitada e sem avaliar profundamente as opções ou ouvir o meio político e a sociedade organizada, Rollemberg, imputou à população do DF, o ‘Pacto por Brasília’. A medida colocou no bolso da população do DF, as contas do ‘apagão de gestão’ do ex-governador, Agnelo Queiroz, que levou o GDF a um déficit nas contas públicas em mais de R$ 3 bilhões, de acordo com dados do Tribunal de Contas do DF (TCDF).

A inabilidade ou falta de percepção social fez com que Rollemberg ignorasse que a população do DF já paga pelo ônus da falta de gestão e as consequências da corrupção, advindas do Governo Federal, e deu de presente à população que o elegeu uma série de reajustes de IPTU, TLP, IPVA, ITBI, TLP, e do ICMS sobre gasolina, diesel e telefonia, o que ganhou o apelido de ‘Pacto da Maldade’.

Munição para fogo amigo?

Para afastar de vez qualquer possibilidade de ser delineado o ‘perfil’ do próprio governo, Rollemberg mantém em cargos ‘sensíveis’ e importantes ao GDF, alguns militantes e líderes do quadro petista do DF.

A continuidade ou a nomeação de integrantes do PT sob a ‘singela’ alegação que as nomeações atendem a um ‘critério técnico’ independente de partido, não foi aceito pela opinião pública e encontra forte resistência em segmentos organizados da sociedade local.

Será que Rollemberg não entendeu a ‘mensagem das urnas’? Rollemberg ainda ‘não notou’ que se o PT gozasse de qualquer simpatia ou ‘clemência técnica’ por parte da opinião pública e do eleitorado, não teria sido ‘eliminado’ ainda no primeiro turno eleitoral?

O que justifica a manutenção de vínculo com um Partido que foi ‘sumária e democraticamente’ eliminado nas urnas, em primeiro turno, pelo eleitorado local?

Funcionalismo Público

Mas o ‘desastre’ Rollemberg não para por aí. Os equívocos perpetrados por um governo até então ‘perdido e desorientado’ não pode se restringir apenas a sua incompetência na escolha de seus ‘colaboradores’, tem que ‘transcender’ a tal fronteira. E Rollemberg assim o fez, colecionando mais ‘desastres’ em sua trajetória política.

Na condição de comandante do Palácio do Buriti o Governador adota como política pública de ‘gestão de pessoal’ o pagamento dos salários de servidores ‘à suaves parcelas’. Isso lhe rendeu uma vergonhosa e festiva derrota nos Tribunais, amplamente comemorada por entidades sindicais e por todos os quadros de pessoal da estrutura organizacional do GDF.

Rollemberg acumula perda de popularidade por deixar ações simples, a exemplo de se pronunciar contrário, em tempo, pelo que as entidades sindicais e a oposição chamou de ‘mãozinha’ do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ao GDF, por ingressar com Ação de Inconstitucionalidade (ADIN) pedindo o cancelamento de mais de 30 Leis que concederam  reajustes e estruraram as carreiras de mais de 100 mil servidores do GDF, concedidas pelo ex-governador, Agnelo Queiroz (PT), entre 2013 e 2014, o que resultou em mobilização maciça dos servidores públicos, totalmente desnecessária.

Saúde, o calcanhar de Aquiles

Enquanto isso os Policiais Militares, desmotivados, veem o serviço de saúde escoar pelo ralo. Além de terem que fazer partos pela cidade, por causa da omissão do GDF que perpetua a continuidade da ausência de médicos e de outros profissionais nas unidades de saúde, que deveriam garantir o atendimento à população.

O patente desconhecimento da realidade inerente à máquina pública sob sua gestão governamental e sua incompetência na solução dos problemas apresentados, conduz o atual Governador a seguir promovendo equívocos e consumando ‘graves consequências sociais’ em seu desastroso (des)governo, principalmente, em relação a pasta mais ‘sensível’ do governo.

Ao proibir a realização de Horas Extras (HEs) na área de saúde, sob o argumento de ‘controle de caixa’ e ‘economia para os cofres públicos’ Rollemberg decretou o imediato fechamento das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do DF. Isso porque algumas Unidades dependem das HEs para fechamento de escalas de plantão. E o mais grave, há UPAs que funcionam exclusivamente por causa das HEs.

Nesse contexto, suprimi-las na SES-DF é determinar o fechamento das UPAs e de algumas unidades integrantes da rede de assistência à saúde pública que integra o Sistema Único de Saúde (SUS) no DF.

Articulação Política

O ‘desastre Rollemberg’ tem acarretado a insatisfação dos antigos aliados, fortalecimento dos adversários políticos e a revolta da sociedade independente de escolaridade ou classe social.

Rollemberg foi eleito não apenas para fazer a diferença, mas principalmente, para ser a diferença. Mas está perdido, desnorteado, sem qualquer rumo ou diretriz que possa definir perante a opinião pública seu plano de governo.

Nos bastidores políticos, ‘caciques’ locais e a grande maioria de líderes comunitários manifestam publicamente a ‘grande decepção’ que se revelou o governo Rollemberg e todos são unânimes em declarar que “Rollemberg foi eleito, mas quem manda é Doyle e quem executa é o Santana”, em referência ao chefe da Casa Civil, Hélio Doyle e ao vice-governador, Renato Santana, restando ao Governador o secundário papel de ostentar a faixa e assinar o que mandam.

O governo parece preso à ideia de ter 20 apoiadores na base aliada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e se esquece do principal, tornar o Executivo um bom referencial de gestão, há tanto esperado pela população do DF, para fazer com que o DF volte a ser uma cidade próspera em que todos se orgulhem da condução política da cidade.

O que se espera de Rollemberg

O ex-governador, começou a selar a impossibilidade de chegar à reeleição nos primeiros 90 dias de governo, ao fechar as portas para o funcionalismo público, que o elegeu. Se soma a isso uma gestão prepotente que, com o apoio dos distritais na CLDF e do Governo Federal, focou em transformar o DF em uma capital, referência mundial, ‘disso e daquilo’, sem resolver de forma concreta os problemas crônicos da cidade.

Rollemberg por sua vez demonstra ter preocupações mais concretas e parece estar disposto a fazer uma devassa nas irregularidades cometidas pelo antecessor, um bom começo para estancar velhas práticas e colocar os eixos nos trilhos.

No entanto o Governador comete os mesmos erros clássicos, a começar pelas contradições entre o discurso de campanha e a prática do mandato. O governador aderiu as ‘rodas de conversas’ do estrategista digital, professor, Maurício Brusadin, mas parece não ter entendido a essência, uma vez que não basta apenas ouvir os anseios do povo, é preciso coloca-lo em prática.

A população do DF esperam sim que Rollemberg enfrente este grande desafio, afinal se propôs a fazê-lo, mas não colocando-a contra a parede e sim ouvindo-a e buscando soluções, juntos, para chegarem a um denominador quanto a resolução dos problemas do DF.

Mas por enquanto, resta aos eleitores do DF uma pálida esperança que, caso não mude o rumo, este governo entre para a história apenas como um ‘desastre de governo’ e não como o ‘desastrado governo dos três patetas’, o que seria vergonhoso demais para a Capital da República.

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